SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2026
Um recém-nascido prematuro tardio, de 35 semanas, apresentou taquipneia desde as primeiras horas de vida. Ao exame, apresentou FR = 70 irpm, FC = 150 bpm, SpO₂ = 92% em ar ambiente, e retração subcostal leve. A radiografia mostrou hiperinsuflação pulmonar e linhas fluidas, sem infiltrados difusos. O diagnóstico provável é taquipneia transitória do recém-nascido (TTRN). Nesse caso, qual é a abordagem clínica mais adequada?
TTRN = Prematuro tardio/Cesárea + Taquipneia precoce + Rx com congestão hilar/cisurite → Suporte O2/CPAP.
A TTRN decorre do retardo na reabsorção do líquido pulmonar fetal. O tratamento é de suporte (oxigenoterapia ou CPAP), com resolução habitual em 24-72 horas.
A TTRN, também conhecida como síndrome do pulmão úmido, é a causa mais comum de desconforto respiratório no período neonatal imediato. Afeta principalmente recém-nascidos a termo ou prematuros tardios nascidos por cesariana eletiva. O quadro clínico é caracterizado por taquipneia (FR > 60 irpm) que surge nas primeiras 6 horas de vida, geralmente autolimitada. O manejo clínico foca na estabilização hemodinâmica e respiratória. É fundamental monitorar a evolução, pois a persistência dos sintomas além de 72 horas ou a necessidade de altas concentrações de oxigênio sugerem outras patologias, como pneumonia neonatal ou hipertensão pulmonar persistente. A restrição hídrica não é recomendada como terapia de rotina, devendo-se manter a oferta hídrica basal e vigilância rigorosa.
A TTRN é causada pela falha ou atraso na reabsorção do líquido alveolar pelos canais de sódio epiteliais (ENaC) após o nascimento. É mais comum em partos cesáreos sem trabalho de parto prévio, onde não ocorre o pico de catecolaminas e corticoides endógenos que estimulam essa reabsorção. O acúmulo de líquido nos espaços intersticiais e fendas interlobares reduz a complacência pulmonar, gerando taquipneia compensatória.
A radiografia de tórax na TTRN tipicamente revela hiperinsuflação pulmonar, aumento da trama vascular (congestão peri-hilar), presença de líquido nas cissuras (cisurite) e, ocasionalmente, pequenos derrames pleurais. Diferencia-se da Doença da Membrana Hialina pela ausência do padrão de vidro fosco e broncogramas aéreos, e da aspiração de mecônio pela ausência de infiltrados grosseiros e irregulares.
O tratamento é essencialmente de suporte. A maioria dos neonatos responde bem a baixas frações inspiradas de oxigênio (FiO2 < 40%) via cateter ou HOOD. Em casos de desconforto moderado ou persistente, o CPAP nasal é a escolha para recrutar alvéolos e auxiliar na redistribuição do líquido. A ventilação mecânica invasiva é raramente necessária e deve levantar suspeita de diagnósticos diferenciais.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo