UNCISAL - Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas — Prova 2020
Recém nascido de 39 semanas, parto cesáreo, adequado para a idade gestacional, Apgar 9/10, bolsa rota no ato, líquido amniótico claro, apresenta taquipneia com retrações intercostais logo após o parto. Exame físico: ausculta pulmonar sem crepitantes. RX de tórax: aumento da trama vascular pulmonar. História obstétrica: sem intercorrências. Diante do quadro, o diagnóstico é:
RN termo/pós-termo, cesárea, taquipneia precoce, RX com ↑ trama vascular → Taquipneia Transitória do RN.
A Taquipneia Transitória do Recém-Nascido (TTRN) é uma causa comum de desconforto respiratório em RN a termo ou próximo do termo, especialmente após parto cesáreo. É caracterizada por taquipneia e retrações, com ausculta pulmonar geralmente normal e RX de tórax mostrando aumento da trama vascular e líquido nas fissuras, devido ao atraso na reabsorção do líquido pulmonar fetal.
A Taquipneia Transitória do Recém-Nascido (TTRN), também conhecida como "pulmão úmido", é uma das causas mais comuns de desconforto respiratório em neonatos a termo ou próximo do termo. Caracteriza-se por taquipneia, retrações intercostais e, por vezes, gemência, que geralmente se resolvem espontaneamente em 24 a 72 horas. Sua importância reside na necessidade de um diagnóstico diferencial preciso para excluir condições mais graves. A fisiopatologia da TTRN envolve um atraso na reabsorção do líquido pulmonar fetal. Durante a vida intrauterina, os pulmões são preenchidos por líquido. No parto vaginal, as compressões torácicas e as alterações hormonais auxiliam na expulsão e reabsorção desse líquido. No parto cesáreo, especialmente se eletivo e sem trabalho de parto, esse mecanismo pode ser prejudicado, levando ao acúmulo de líquido nos alvéolos e interstício pulmonar. O diagnóstico é clínico e radiológico. O recém-nascido apresenta taquipneia e sinais de desconforto respiratório leve a moderado. A ausculta pulmonar costuma ser normal ou com murmúrio vesicular diminuído. A radiografia de tórax tipicamente revela hiperinsuflação pulmonar, aumento da trama vascular pulmonar, líquido nas fissuras interlobares e, ocasionalmente, derrame pleural discreto. O tratamento é de suporte, com oxigenoterapia, e raramente requer ventilação mecânica.
Os principais fatores de risco para TTRN incluem parto cesáreo eletivo (sem trabalho de parto), diabetes materno, asma materna, macrossomia fetal e sexo masculino. O parto vaginal com trabalho de parto ajuda na reabsorção do líquido pulmonar.
A TTRN ocorre devido a um atraso na reabsorção do líquido pulmonar fetal pelos linfáticos e capilares pulmonares após o nascimento. Isso leva a um acúmulo de líquido nos pulmões, diminuindo a complacência pulmonar e causando taquipneia para compensar.
A TTRN geralmente afeta RN a termo ou pós-termo, com líquido amniótico claro e história de cesárea. O RX de tórax mostra hiperinsuflação, aumento da trama vascular e líquido nas fissuras. Diferencia-se da doença de membrana hialina (RN prematuro, vidro moído no RX) e da síndrome de aspiração meconial (líquido meconial, infiltrados grosseiros no RX).
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