UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2021
Gestante de 37 semanas chegou ao pronto-socorro com pré-eclâmpsia grave, havendo necessidade de interrupção da gestação. Recém-nascido masculino, peso 3300 g, Apgar 7/10, foi encaminhado à Unidade Neonatal devido a taquipneia, com frequência respiratória de 80 bpm, mantendo saturação de 95%, sem necessidade de oxigênio suplementar. Os raios X de tórax mostravam congestão peri-hilar simétrica, espessamento de cisuras interlobares, hiperinsuflação pulmonar leve. Glicemia capilar 50mg/dl e temperatura axilar de 36,5◦C. Quanto ao diagnóstico clínico mais provável, assinale a alternativa correta.
TTRN = taquipneia leve/moderada + RX tórax com congestão peri-hilar/cisuras espessadas + melhora espontânea.
A Taquipneia Transitória do Recém-Nascido (TTRN) é comum em partos cesáreos ou prematuros tardios, devido à retenção de líquido pulmonar. O quadro é autolimitado e o RX de tórax com congestão peri-hilar e espessamento de cisuras é característico.
A Taquipneia Transitória do Recém-Nascido (TTRN), também conhecida como "pulmão úmido", é a causa mais comum de desconforto respiratório em recém-nascidos a termo ou prematuros tardios. Sua incidência é maior em partos cesáreos eletivos, onde a ausência do trabalho de parto e da compressão torácica impede a reabsorção adequada do líquido pulmonar. É crucial para residentes reconhecerem essa condição benigna para evitar intervenções desnecessárias. Fisiopatologicamente, a TTRN ocorre devido ao atraso na reabsorção do líquido pulmonar fetal pelos linfáticos e capilares pulmonares. Clinicamente, manifesta-se por taquipneia, gemência, batimento de asas nasais e, ocasionalmente, retrações. O diagnóstico é clínico e radiológico, com o raio-X de tórax mostrando congestão peri-hilar, espessamento de cisuras interlobares e, por vezes, hiperinsuflação. É importante diferenciar de outras causas mais graves de desconforto respiratório. O tratamento da TTRN é de suporte, visando manter a oxigenação e ventilação adequadas. Geralmente, a condição é autolimitada, com resolução espontânea em 24 a 72 horas. Pode ser necessário oxigênio suplementar ou, em casos mais intensos, pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP nasal). A monitorização rigorosa é fundamental para identificar piora e excluir diagnósticos diferenciais.
Os principais fatores de risco incluem parto cesáreo eletivo sem trabalho de parto, prematuridade tardia (34-36 semanas), macrossomia, asfixia perinatal e diabetes materno. A ausência de compressão torácica no parto vaginal impede a expulsão adequada do líquido pulmonar.
A TTRN geralmente apresenta desconforto respiratório leve a moderado, com boa saturação e melhora espontânea em 24-72 horas. O raio-X de tórax mostra congestão peri-hilar e espessamento de cisuras, diferente da SDR (vidro moído) ou pneumonia (infiltrados).
A conduta é de suporte, incluindo monitorização rigorosa, oferta de oxigênio suplementar se necessário para manter saturação adequada, e, em casos mais graves, CPAP nasal. A alimentação pode ser suspensa temporariamente para evitar aspiração.
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