Taquipneia Transitória do RN: Diagnóstico e Achados de Imagem

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025

Enunciado

As doenças respiratórias são as principais responsáveis pela morbidade e mortalidade no período neonatal, representando a causa mais comum de internação nessa faixa etária. Com base nisso, considere um recém-nascido (RN) de 37 semanas de idade gestacional, com peso de nascimento = 2900, Apgar 7/9, internado em unidade de terapia intensiva neonatal em razão de desconforto respiratório com 24 horas de vida. A gestação ocorreu sem intercorrências, parto vaginal sem intercorrências, líquido amniótico claro, bolsa rota no ato. Ao exame físico, observaram-se FC = 150 bpm, FR = 90 irpm, SatO2 = 96%, RN acianótico, anictérico, ativo, reativo ao exame, com desconforto respiratório, ausculta sem sibilos ou ruídos adventícios.Assinale a alternativa que apresenta os achados radiológicos do caso clínico apresentado.

Alternativas

  1. A) Hipotransparência difusa, imagem em vidro moído
  2. B) Imagem de “ar fora”
  3. C) Opacidades pulmonares assimétricas, irregulares, múltiplas
  4. D) Reforço da trama vascular, cisurite

Pérola Clínica

TTRN → Taquipneia em RN termo/pré-termo tardio + Rx com cisurite e reforço vascular.

Resumo-Chave

A Taquipneia Transitória do Recém-Nascido (TTRN) decorre do retardo na reabsorção do líquido pulmonar fetal, sendo comum em partos cesáreos ou vaginais rápidos.

Contexto Educacional

A Taquipneia Transitória do Recém-Nascido, também conhecida como Síndrome do Pulmão Úmido, é uma condição benigna e autolimitada que afeta principalmente recém-nascidos a termo ou pré-termos tardios. A fisiopatologia central reside na falha dos mecanismos de clareamento do líquido alveolar, que normalmente deve ser substituído por ar logo após o nascimento. Clinicamente, manifesta-se por taquipneia precoce, iniciada nas primeiras horas de vida, com níveis variáveis de esforço respiratório. O diagnóstico é clínico-radiológico, sendo fundamental excluir processos infecciosos como a sepse neonatal precoce. O conhecimento dos padrões radiológicos, como a presença de líquido nas fissuras interlobares (cisurite), é um diferencial importante para o diagnóstico correto e manejo conservador adequado.

Perguntas Frequentes

Quais os principais fatores de risco para TTRN?

Os principais fatores de risco incluem o parto cesáreo sem trabalho de parto prévio, o que impede a compressão torácica e a sinalização hormonal (catecolaminas) necessária para a ativação dos canais de sódio epiteliais (ENaC) que reabsorvem o líquido pulmonar. Outros fatores são o clampeamento tardio do cordão, asfixia perinatal e diabetes materno. O quadro clínico costuma ser autolimitado, resolvendo-se em 24 a 72 horas com suporte de oxigênio mínimo.

Como diferenciar TTRN de Doença da Membrana Hialina no Rx?

Na TTRN, o Rx mostra pulmões hiperinsuflados, reforço da trama vascular (congestão linfática), derrame pleural laminar e a clássica cisurite. Já na Doença da Membrana Hialina (SDR), o padrão é de hipotransparência difusa com aspecto de 'vidro moído' e broncogramas aéreos, associado a volumes pulmonares reduzidos devido ao colapso alveolar por deficiência de surfactante.

Qual o tratamento indicado para a TTRN?

O tratamento é essencialmente de suporte. A maioria dos recém-nascidos requer apenas observação e oxigenoterapia com baixas frações inspiradas (FiO2 < 40%) para manter a saturação adequada. Em casos de maior desconforto, o CPAP nasal pode ser utilizado para auxiliar na redistribuição e absorção do líquido. A nutrição deve ser ajustada conforme a frequência respiratória para evitar aspiração.

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