TV Sem Pulso Pediátrica: Manejo em Pacientes com Noradrenalina

Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2021

Enunciado

Criança de 3 anos, previamente hígida, foi vítima de atropelamento e está internada em unidade de terapia intensiva. Está sedada, em ventilação mecânica, recebendo noradrenalina contínua. O monitor cardíaco apitou e o plantonista verifica que a frequência cardíaca está em 200 batimentos por minuto, com QRS alargado e, ao exame, não detecta a presença de pulso. Iniciadas compressões torácicas, o próximo passo é

Alternativas

  1. A) reduzir a dose da noradrenalina.
  2. B) prescrever amiodarona.
  3. C) administrar epinefrina.
  4. D) aumentar a dose do sedativo.
  5. E) realizar cardioversão com 2 J/kg.

Pérola Clínica

TV sem pulso em criança sedada com noradrenalina: reduzir noradrenalina antes de desfibrilar.

Resumo-Chave

A noradrenalina é um vasopressor que, em doses elevadas ou em pacientes sensíveis, pode causar arritmias ventriculares. Em uma criança sedada em uso contínuo, a taquicardia ventricular sem pulso (QRS alargado e ausência de pulso) pode ser induzida ou agravada pela droga. Reduzir a dose é o primeiro passo para tentar reverter a arritmia antes de considerar outras intervenções como a desfibrilação.

Contexto Educacional

A parada cardiorrespiratória (PCR) em crianças frequentemente tem etiologia respiratória ou circulatória, diferentemente dos adultos, onde a causa cardíaca primária é mais comum. No entanto, em pacientes criticamente enfermos, especialmente aqueles em uso de drogas vasoativas, arritmias podem precipitar uma PCR. A taquicardia ventricular (TV) sem pulso é uma arritmia chocável e uma emergência médica. No cenário de uma criança sedada, em ventilação mecânica e recebendo noradrenalina contínua, o surgimento súbito de TV sem pulso (QRS alargado, FC 200 bpm, ausência de pulso) levanta a suspeita de que a droga vasoativa possa ser um fator contribuinte. A noradrenalina, embora vital para o suporte hemodinâmico, pode, em doses elevadas ou em pacientes com miocárdio sensibilizado, aumentar a automaticidade e a excitabilidade ventricular, levando a arritmias. Diante de uma TV sem pulso, as compressões torácicas devem ser iniciadas imediatamente. Contudo, antes de proceder à desfibrilação, é crucial identificar e corrigir causas reversíveis. Neste caso, a redução da dose da noradrenalina é um passo lógico e prioritário, pois pode reverter a arritmia induzida pela droga. Se a arritmia persistir, a desfibrilação (2 J/kg) e a administração de epinefrina seguem o algoritmo de PCR pediátrica para ritmos chocáveis.

Perguntas Frequentes

Qual a importância de identificar causas reversíveis em uma parada cardiorrespiratória pediátrica?

Identificar e tratar causas reversíveis (como hipóxia, hipovolemia, hipotermia, toxinas, tamponamento cardíaco, pneumotórax, trombose) é crucial para o sucesso da ressuscitação. A correção dessas causas pode reverter a PCR ou otimizar a resposta às manobras de reanimação.

Por que a noradrenalina pode estar relacionada à taquicardia ventricular sem pulso neste caso?

A noradrenalina é um agonista alfa e beta-adrenérgico que, em doses elevadas ou em pacientes com sensibilidade aumentada, pode aumentar a excitabilidade miocárdica e precipitar ou agravar arritmias ventriculares, como a taquicardia ventricular.

Qual a sequência de ações para uma taquicardia ventricular sem pulso em pediatria, após iniciar as compressões?

Após iniciar as compressões e identificar a TV sem pulso, deve-se verificar se há causas reversíveis (como a noradrenalina neste caso). Se não houver, o próximo passo é a desfibrilação (2 J/kg), seguida de epinefrina e, se necessário, antiarrítmicos como amiodarona ou lidocaína, intercalados com compressões e ventilações.

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