Taquicardia Ventricular Polimórfica: Manejo Urgente e Desfibrilação

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente com miocardiopatia isquêmica chega ao pronto- socorro com dor precordial em aperto, de forte intensidade, com uma hora de duração. Ele apresenta- se sudoreico, com saturação de O₂ em 90%, frequência respiratória de 22ipm e pressão arterial de 88/60 mmHg. O eletrocardiograma na entrada do paciente está abaixo representado: Fonte: Arq Bras Cardiol 2022 119(4)638-680 Entre as alternativas abaixo, qual corresponde ao diagnóstico eletrocardiográfico e à melhor conduta terapêutica?

Alternativas

  1. A) Taquicardia supraventricular sustentada monomórfica; cardioversão imediata com choque sincronizado de 100J;
  2. B) Taquicardia supraventricular com aberrância de condução; Amiodarona; 300 mg diluído em soro glicosado a 5%, aplicado em 15 minutos;
  3. C) Taquicardia ventricular polimórfica; cardioversão imediata com choque sincronizado de 100J;
  4. D) Fibrilação ventricular; desfibrilação com choque não sincronizado de 200J;

Pérola Clínica

TV polimórfica com instabilidade hemodinâmica (choque) → Desfibrilação imediata (não sincronizada).

Resumo-Chave

O paciente apresenta taquicardia de QRS largo, irregular e polimórfica, com instabilidade hemodinâmica (hipotensão, sudorese, saturação baixa), configurando uma taquicardia ventricular polimórfica com choque. A conduta imediata é a desfibrilação não sincronizada.

Contexto Educacional

A taquicardia ventricular polimórfica é uma arritmia grave caracterizada por complexos QRS largos e irregulares, com morfologia variável, que se origina nos ventrículos. Frequentemente associada a doenças cardíacas estruturais, como a miocardiopatia isquêmica, representa uma emergência médica devido ao risco de rápida deterioração hemodinâmica e progressão para fibrilação ventricular e morte súbita. Sua identificação precoce é vital para a sobrevida do paciente. O diagnóstico é feito pelo eletrocardiograma, que mostra QRS largos (>0,12s), irregulares e com múltiplas morfologias. A presença de instabilidade hemodinâmica (hipotensão, sinais de choque, dor torácica isquêmica, insuficiência cardíaca aguda, alteração do nível de consciência) é um fator crítico que determina a urgência da intervenção. A fisiopatologia frequentemente envolve reentrada em um miocárdio lesionado ou distúrbios eletrolíticos. A conduta terapêutica imediata para taquicardia ventricular polimórfica com instabilidade hemodinâmica é a desfibrilação elétrica não sincronizada. Diferente da cardioversão sincronizada, que é para ritmos organizados com pulso, a desfibrilação entrega um choque imediato para interromper o ritmo caótico. Após a reversão, a investigação da causa subjacente e o manejo de distúrbios eletrolíticos (especialmente hipocalemia e hipomagnesemia) são importantes para prevenir recorrências.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar taquicardia ventricular polimórfica de outras taquicardias de QRS largo?

A taquicardia ventricular polimórfica é caracterizada por complexos QRS largos e irregulares, com morfologia variável. Diferencia-se da TV monomórfica (QRS largos e regulares) e da taquicardia supraventricular com aberrância (geralmente QRS largo, mas com morfologia consistente e evidência de atividade atrial).

Qual a conduta inicial para um paciente com taquicardia ventricular polimórfica e instabilidade hemodinâmica?

A conduta inicial e mais urgente é a desfibrilação elétrica não sincronizada. A instabilidade hemodinâmica (hipotensão, choque, alteração do nível de consciência, dor torácica isquêmica aguda, insuficiência cardíaca aguda) exige reversão imediata do ritmo.

Por que a cardioversão sincronizada não é indicada para taquicardia ventricular polimórfica?

A cardioversão sincronizada é utilizada para ritmos organizados (como TV monomórfica com pulso ou taquicardia supraventricular) para evitar a descarga no período refratário relativo (onda T), que poderia induzir fibrilação ventricular. Em ritmos polimórficos e caóticos, a sincronização é ineficaz ou impossível, sendo a desfibrilação não sincronizada a abordagem correta.

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