Taquicardia Ventricular em Lactentes: Diagnóstico e ECG

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2022

Enunciado

Lactente de 10 meses apresenta palidez cutânea, taquipneia e taquicardia há 4 horas. Exame físico: FC acima de 150 bpm, afebril, com pulsos finos, perfusão periférica diminuída e tempo de enchimento capilar de 4 segundos. Eletrocardiograma: FC 160 bpm, ausência de ondas P, complexos QRS com duração aumentada (0,16 seg) e monomórficos, conforme imagem.O diagnóstico é taquicardia

Alternativas

  1. A) sinusal.
  2. B) atrial não sinusal.
  3. C) juncional.
  4. D) ventricular.

Pérola Clínica

Lactente instável + Taquicardia QRS alargado, sem onda P, monomórfica = Taquicardia Ventricular.

Resumo-Chave

Em um lactente com sinais de instabilidade hemodinâmica (palidez, taquipneia, taquicardia, pulsos finos, TEC prolongado) e um ECG mostrando taquicardia com QRS alargado, ausência de ondas P e morfologia monomórfica, o diagnóstico é de taquicardia ventricular. A largura do QRS é o principal diferenciador de uma taquicardia supraventricular com aberrância.

Contexto Educacional

As taquicardias em lactentes representam um desafio diagnóstico e terapêutico, exigindo reconhecimento rápido e intervenção adequada devido ao risco de descompensação hemodinâmica. A taquicardia ventricular (TV) é uma arritmia grave, caracterizada por uma frequência cardíaca elevada originada nos ventrículos, frequentemente associada a cardiopatias estruturais ou canalopatias, embora possa ocorrer em corações estruturalmente normais. A apresentação clínica pode variar de assintomática a choque cardiogênico, como demonstrado pelo lactente com palidez, taquipneia, taquicardia, pulsos finos e tempo de enchimento capilar prolongado. O eletrocardiograma (ECG) é a ferramenta diagnóstica essencial. A TV é caracterizada por taquicardia com complexos QRS alargados (duração maior que o normal para a idade), ausência de ondas P ou dissociação atrioventricular, e morfologia QRS geralmente monomórfica. Em lactentes, um QRS > 0,08-0,09 segundos já é considerado alargado. A diferenciação de uma taquicardia supraventricular com aberrância de condução é crucial, mas a presença de instabilidade hemodinâmica em conjunto com os achados de ECG favorece fortemente o diagnóstico de TV. O manejo da TV em lactentes depende da estabilidade hemodinâmica. Em pacientes instáveis, a cardioversão elétrica sincronizada é a terapia de primeira linha e deve ser realizada imediatamente. Em pacientes estáveis, pode-se considerar o uso de antiarrítmicos intravenosos, como amiodarona ou procainamida, sob monitorização rigorosa. O prognóstico da TV em crianças varia amplamente e depende da etiologia subjacente e da resposta ao tratamento, sendo fundamental o acompanhamento cardiológico especializado.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios eletrocardiográficos para taquicardia ventricular em crianças?

Os principais critérios incluem taquicardia com QRS alargado (duração maior que o esperado para a idade, geralmente > 0,08-0,09s em lactentes), ausência de ondas P ou dissociação atrioventricular, e morfologia QRS monomórfica ou polimórfica. A instabilidade hemodinâmica é um sinal de gravidade.

Como diferenciar taquicardia ventricular de taquicardia supraventricular com aberrância em lactentes?

A diferenciação é desafiadora. Sinais que favorecem TV incluem dissociação AV, QRS muito alargado, morfologia QRS atípica para bloqueio de ramo, e instabilidade hemodinâmica grave. A presença de ondas P ou a resposta a manobras vagais ou adenosina favorecem TSV com aberrância.

Qual a conduta inicial em um lactente com taquicardia ventricular e instabilidade hemodinâmica?

A conduta inicial em um lactente com taquicardia ventricular e instabilidade hemodinâmica é a cardioversão elétrica sincronizada imediata. A dose inicial recomendada é de 0,5 a 1 J/kg, podendo ser aumentada para 2 J/kg se a primeira dose for ineficaz. A estabilização da via aérea e suporte ventilatório também são cruciais.

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