Taquicardia Ventricular Pós-Angioplastia: Manejo da Instabilidade

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023

Enunciado

Um homem de 58 anos é levado ao pronto-socorro devido à dor retroesternal de forte intensidade, em aperto, com irradiação para o braço esquerdo, iniciada há 1 hora. É hipertenso, diabético e tabagista. Foi submetido a uma angioplastia por cateterismo cardíaco, havendo resolução dos seus sintomas. No segundo dia após a angioplastia, durante a visita de um familiar, subitamente houve rebaixamento do nível de consciência, o paciente permanece com pulso central. O monitor cardíaco mostrou o traçado a seguir. Diante do quadro clínico apresentado, a conduta a ser adotada imediatamente é

Alternativas

  1. A) realizar cardioversão elétrica.
  2. B) realizar novo cateterismo cardíaco.
  3. C) administrar metoprolol endovenoso. 
  4. D) administrar lidocaína endovenosa.

Pérola Clínica

Taquicardia ventricular monomórfica com pulso e rebaixamento de consciência (instabilidade) → cardioversão elétrica sincronizada imediata.

Resumo-Chave

Em um paciente com histórico de SCA e angioplastia recente que desenvolve taquicardia ventricular monomórfica com pulso, mas com sinais de instabilidade hemodinâmica (rebaixamento do nível de consciência), a conduta prioritária é a cardioversão elétrica sincronizada para reverter o ritmo e estabilizar o paciente.

Contexto Educacional

Pacientes com histórico de síndrome coronariana aguda (SCA) e intervenção coronariana percutânea (angioplastia) recente possuem um risco aumentado de desenvolver arritmias ventriculares. A isquemia miocárdica ou a formação de cicatrizes pós-infarto criam substratos elétricos que podem gerar taquicardias ventriculares (TVs), tanto monomórficas quanto polimórficas. A dor retroesternal e o rebaixamento do nível de consciência são indicativos de um evento agudo e grave. A taquicardia ventricular monomórfica é caracterizada por complexos QRS largos e regulares, originados nos ventrículos. Quando um paciente apresenta TV com pulso, mas com sinais de instabilidade hemodinâmica (como rebaixamento do nível de consciência, hipotensão, dor torácica isquêmica ou sinais de choque), a conduta de emergência prioritária é a cardioversão elétrica sincronizada. A cardioversão sincronizada é essencial para restaurar o ritmo sinusal rapidamente e estabilizar o paciente. A sincronização do choque com a onda R do ECG minimiza o risco de induzir fibrilação ventricular. Atrasar esta intervenção para tentar medicações antiarrítmicas pode ser prejudicial, pois a instabilidade hemodinâmica exige uma reversão rápida do ritmo para evitar danos orgânicos e morte.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de instabilidade hemodinâmica em taquicardias?

Os sinais incluem hipotensão, alteração aguda do nível de consciência, dor torácica isquêmica, sinais de choque e insuficiência cardíaca aguda. A presença de pulso não exclui instabilidade.

Por que a cardioversão elétrica sincronizada é preferível à não sincronizada na TV com pulso?

A sincronização evita a entrega do choque durante o período refratário ventricular (onda T), o que poderia induzir fibrilação ventricular, sendo mais segura para ritmos organizados com pulso.

Qual a importância do histórico de angioplastia recente neste caso?

O histórico de angioplastia recente por dor retroesternal sugere síndrome coronariana aguda, que pode deixar um substrato isquêmico ou cicatricial no miocárdio, predispondo a arritmias ventriculares.

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