Taquicardia Ventricular: Diagnóstico no ECG de Emergência

UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2023

Enunciado

Considerando-se o traçado eletrocardiográfico abaixo, de um paciente idoso, portador de insuficiência cardíaca, atendido em ambiente de Emergência, assinalar a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) O diagnóstico mais provável é de taquicardia supraventricular com condução aberrante.
  2. B) Deve-se realizar manobra vagal e, na ausência de resposta, administrar Adenosina, que, provavelmente, restaurará o ritmo sinusal nesse paciente.
  3. C) A presença de ondas P dissociadas do complexo QRS confirma o diagnóstico de taquicardia ventricular.
  4. D) O intervalo entre o início da onda R até o nadir da onda S, menor do que 100ms nas derivações precordiais, confirma o diagnóstico de taquicardia ventricular.

Pérola Clínica

Taquicardia QRS largo + dissociação AV = Taquicardia Ventricular (TV).

Resumo-Chave

A dissociação atrioventricular (ondas P não relacionadas aos QRS) é um sinal patognomônico de taquicardia ventricular em taquicardias de QRS largo. É um dos critérios mais importantes para diferenciar TV de taquicardia supraventricular com aberrância.

Contexto Educacional

A taquicardia ventricular (TV) é uma arritmia grave que se origina nos ventrículos, caracterizada por uma frequência cardíaca elevada e complexos QRS largos no eletrocardiograma. É uma causa comum de morte súbita cardíaca, especialmente em pacientes com cardiopatia estrutural, sendo crucial seu reconhecimento e manejo rápido em ambiente de emergência. O diagnóstico diferencial entre TV e taquicardia supraventricular (TSV) com aberrância é um dos maiores desafios na emergência, pois ambas podem apresentar QRS largo. A fisiopatologia da TV envolve reentrada, automatismo aumentado ou atividade deflagrada nos ventrículos. Critérios eletrocardiográficos como a dissociação atrioventricular (ondas P e QRS com ritmos independentes), a presença de batimentos de captura ou fusão, e certas morfologias de QRS (critérios de Brugada e Vereckei) são fundamentais para o diagnóstico. O manejo da TV depende da estabilidade hemodinâmica do paciente. Pacientes instáveis requerem cardioversão elétrica sincronizada imediata. Pacientes estáveis podem ser tratados com antiarrítmicos como amiodarona ou procainamida. O conhecimento aprofundado desses critérios e a capacidade de aplicá-los rapidamente são habilidades essenciais para residentes que atuam em pronto-socorro e unidades de terapia intensiva, visando a redução da morbimortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para diagnosticar taquicardia ventricular no ECG?

Os principais critérios incluem a dissociação atrioventricular, a presença de complexos de fusão ou batimentos de captura, a morfologia do QRS (especialmente nas precordiais) e a duração do QRS (>140ms para BRE, >160ms para BRD).

Como diferenciar taquicardia ventricular de taquicardia supraventricular com aberrância?

Além da dissociação AV, a TSV com aberrância geralmente mantém a morfologia de bloqueio de ramo pré-existente e pode responder a manobras vagais ou adenosina (se for reentrada nodal ou atrial). A TV é mais comum em cardiopatas.

Por que a dissociação atrioventricular é um sinal importante de TV?

A dissociação AV ocorre porque o foco ectópico ventricular assume o controle dos ventrículos, enquanto os átrios continuam a ser ativados pelo nó sinusal ou por outro foco atrial, de forma independente.

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