UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2022
Considere um paciente masculino, 68 anos, antecedentes prévios de infarto agudo do miocárdio e hipertensão arterial sistêmica. Encontra-se internado na UTI há 2 dias devido à sepse de foco urinário. Subitamente apresenta um episódio de taquiarritmia com QRS alargado com duração superior a trinta segundos, frequência cardíaca em torno 200 bpm, pressão arterial 120/60 mmHg.Assinale a alternativa correta em relação à taquiarritmia descrita acima
Taquicardia QRS alargado em paciente com cardiopatia estrutural (IAM prévio) → TV até prova em contrário.
Em pacientes com taquicardia de QRS alargado (duração > 0,12s), especialmente aqueles com doença cardíaca estrutural prévia (como IAM), a taquicardia ventricular (TV) é estatisticamente muito mais provável do que uma taquicardia supraventricular com aberrância de condução.
A taquicardia de QRS alargado (duração ≥ 0,12 segundos) é uma arritmia potencialmente grave que exige rápida avaliação e manejo. O principal desafio diagnóstico é diferenciar a taquicardia ventricular (TV) de uma taquicardia supraventricular (TSV) com aberrância de condução (geralmente um bloqueio de ramo preexistente ou funcional). A importância dessa distinção reside no fato de que a TV é a causa mais comum de taquicardia de QRS alargado, especialmente em pacientes com doença cardíaca estrutural, e tem um prognóstico mais grave. No contexto clínico, como o paciente do enunciado com infarto agudo do miocárdio prévio, a probabilidade de ser uma TV é superior a 80-90%. A presença de cardiopatia estrutural é o preditor mais forte de TV. Embora a pressão arterial esteja normal no momento, a TV pode rapidamente degenerar para instabilidade hemodinâmica ou fibrilação ventricular. O diagnóstico diferencial no ECG envolve a análise de critérios como a dissociação atrioventricular, a morfologia do QRS (padrões de bloqueio de ramo atípicos), a duração do QRS (>160ms sugere TV), e a presença de batimentos de captura ou fusão. Os algoritmos de Brugada e Vereckei são ferramentas valiosas para auxiliar nessa diferenciação. O tratamento de uma taquicardia de QRS alargado em paciente estável, na dúvida, deve ser sempre direcionado para TV, utilizando antiarrítmicos como procainamida ou amiodarona. Em caso de instabilidade hemodinâmica, a cardioversão elétrica sincronizada é a conduta imediata.
Os principais fatores de risco para Taquicardia Ventricular incluem doença cardíaca estrutural (como infarto agudo do miocárdio prévio, cardiomiopatia dilatada ou hipertrófica), disfunção ventricular esquerda, insuficiência cardíaca e distúrbios eletrolíticos.
A diferenciação é complexa, mas critérios como a dissociação AV, complexos QRS muito alargados (>0,16s), morfologia de QRS atípica para bloqueio de ramo, e a presença de fusões ou capturas são sugestivos de TV. Os critérios de Brugada e Vereckei são ferramentas úteis.
Em pacientes estáveis com taquicardia de QRS alargado, deve-se tentar diferenciar TV de TSV com aberrância. Se houver alta suspeita de TV ou se a diferenciação for incerta, o tratamento deve ser direcionado para TV, geralmente com procainamida ou amiodarona intravenosa.
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