Taquicardia Ventricular: Diagnóstico em QRS Alargado

UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2022

Enunciado

Considere um paciente masculino, 68 anos, antecedentes prévios de infarto agudo do miocárdio e hipertensão arterial sistêmica. Encontra-se internado na UTI há 2 dias devido à sepse de foco urinário. Subitamente apresenta um episódio de taquiarritmia com QRS alargado com duração superior a trinta segundos, frequência cardíaca em torno 200 bpm, pressão arterial 120/60 mmHg.Assinale a alternativa correta em relação à taquiarritmia descrita acima

Alternativas

  1. A) O tratamento indicado é a adenosina.
  2. B) Estatisticamente é mais provável tratar-se de uma taquicardia ventricular.
  3. C) A pressão arterial estando normal descarta a possibilidade de taquicardia ventricular.
  4. D) Se a origem desta taquicardia for supraventricular, o comportamento esperado é mais maligno quando comparado à origem ventricular
  5. E) Não é necessária a diferenciação entre taquicardia ventricular e taquicardia supraventricular com aberrância de condução, pois o tratamento será o mesmo para os dois tipos

Pérola Clínica

Taquicardia QRS alargado em paciente com cardiopatia estrutural (IAM prévio) → TV até prova em contrário.

Resumo-Chave

Em pacientes com taquicardia de QRS alargado (duração > 0,12s), especialmente aqueles com doença cardíaca estrutural prévia (como IAM), a taquicardia ventricular (TV) é estatisticamente muito mais provável do que uma taquicardia supraventricular com aberrância de condução.

Contexto Educacional

A taquicardia de QRS alargado (duração ≥ 0,12 segundos) é uma arritmia potencialmente grave que exige rápida avaliação e manejo. O principal desafio diagnóstico é diferenciar a taquicardia ventricular (TV) de uma taquicardia supraventricular (TSV) com aberrância de condução (geralmente um bloqueio de ramo preexistente ou funcional). A importância dessa distinção reside no fato de que a TV é a causa mais comum de taquicardia de QRS alargado, especialmente em pacientes com doença cardíaca estrutural, e tem um prognóstico mais grave. No contexto clínico, como o paciente do enunciado com infarto agudo do miocárdio prévio, a probabilidade de ser uma TV é superior a 80-90%. A presença de cardiopatia estrutural é o preditor mais forte de TV. Embora a pressão arterial esteja normal no momento, a TV pode rapidamente degenerar para instabilidade hemodinâmica ou fibrilação ventricular. O diagnóstico diferencial no ECG envolve a análise de critérios como a dissociação atrioventricular, a morfologia do QRS (padrões de bloqueio de ramo atípicos), a duração do QRS (>160ms sugere TV), e a presença de batimentos de captura ou fusão. Os algoritmos de Brugada e Vereckei são ferramentas valiosas para auxiliar nessa diferenciação. O tratamento de uma taquicardia de QRS alargado em paciente estável, na dúvida, deve ser sempre direcionado para TV, utilizando antiarrítmicos como procainamida ou amiodarona. Em caso de instabilidade hemodinâmica, a cardioversão elétrica sincronizada é a conduta imediata.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para Taquicardia Ventricular?

Os principais fatores de risco para Taquicardia Ventricular incluem doença cardíaca estrutural (como infarto agudo do miocárdio prévio, cardiomiopatia dilatada ou hipertrófica), disfunção ventricular esquerda, insuficiência cardíaca e distúrbios eletrolíticos.

Como diferenciar Taquicardia Ventricular de Taquicardia Supraventricular com aberrância no ECG?

A diferenciação é complexa, mas critérios como a dissociação AV, complexos QRS muito alargados (>0,16s), morfologia de QRS atípica para bloqueio de ramo, e a presença de fusões ou capturas são sugestivos de TV. Os critérios de Brugada e Vereckei são ferramentas úteis.

Qual a conduta inicial para uma taquicardia de QRS alargado em paciente estável hemodinamicamente?

Em pacientes estáveis com taquicardia de QRS alargado, deve-se tentar diferenciar TV de TSV com aberrância. Se houver alta suspeita de TV ou se a diferenciação for incerta, o tratamento deve ser direcionado para TV, geralmente com procainamida ou amiodarona intravenosa.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo