UNIATENAS - Centro Universitário Atenas (MG) — Prova 2023
Mulher, 56 anos, portadora de doença de Chagas, hipertensão arterial sistêmica, em uso regular de anti-hipertensivos, foi admitida no Box de emergência do pronto atendimento devido síncope. Alega que apresenta os sintomas cerca de duas vezes ao mês, com início há cerca de seis meses, sem procura médica anteriormente. O quadro é súbito, com duração em média de 30 segundos, não dando tempo de apoiar-se, o que sempre leva a paciente a machucar. No momento, a paciente alega sonolência e dor torácica leve, porém nega tontura, vertigem, dispneia. PA: 140 x 90 mmHg em ambos braços. Realizado eletrocardiograma:De acordo com o caso clínico, é correto afirmar que:
Paciente chagásico com síncope e taquicardia de QRS largo com pulso → TV com pulso; conduta inicial = cardioversão elétrica sincronizada.
Em pacientes com doença de Chagas e síncope, a taquicardia de QRS largo deve ser presumida como taquicardia ventricular até prova em contrário. A presença de pulso, mas com instabilidade hemodinâmica (síncope recorrente, dor torácica), indica a necessidade de cardioversão elétrica sincronizada imediata.
A doença de Chagas, causada pelo parasita Trypanosoma cruzi, é uma condição endêmica em algumas regiões, levando a uma cardiomiopatia dilatada crônica em cerca de 30% dos pacientes. Esta cardiomiopatia é caracterizada por fibrose miocárdica, aneurismas apicais e distúrbios de condução, que predispõem a arritmias ventriculares graves, incluindo taquicardia ventricular (TV) e fibrilação ventricular (FV). A síncope em um paciente chagásico é um sinal de alerta para arritmias ventriculares malignas. O diagnóstico diferencial entre taquicardia ventricular e taquicardia supraventricular com aberrância de condução em taquicardias de QRS largo é crucial. Critérios eletrocardiográficos como os de Brugada e Vereckei são ferramentas valiosas, mas a presença de instabilidade hemodinâmica (síncope, hipotensão, dor torácica, sinais de choque) em qualquer taquicardia de QRS largo deve levar à presunção de TV e à conduta imediata. A conduta inicial em um paciente com taquicardia ventricular e instabilidade hemodinâmica (com ou sem pulso) é a cardioversão elétrica. Se houver pulso, a cardioversão deve ser sincronizada para evitar a indução de FV. A cardioversão elétrica sincronizada é um procedimento de emergência que visa restaurar o ritmo sinusal rapidamente e estabilizar o paciente, prevenindo complicações graves como a morte súbita.
Os critérios de Brugada e Vereckei são ferramentas eletrocardiográficas que auxiliam na diferenciação, avaliando a morfologia do QRS, a presença de dissociação AV e a duração do intervalo RS.
A cardioversão elétrica sincronizada é a conduta de escolha para taquicardias com QRS largo e instabilidade hemodinâmica (como síncope, dor torácica, hipotensão), pois reverte o ritmo rapidamente e previne a deterioração para fibrilação ventricular.
A doença de Chagas causa cardiomiopatia dilatada com fibrose miocárdica, criando substratos para arritmias ventriculares complexas, incluindo taquicardia ventricular e fibrilação ventricular, sendo uma causa comum de morte súbita.
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