INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017
Uma lactente com 15 meses de idade é levada pela mãe ao Pronto-Socorro. A mãe relata que o coração do bebê está muito acelerado. A mãe nega outras queixas e informa que realiza acompanhamento regularmente na Unidade Básica de Saúde, não tendo ocorrido, até então, intercorrências. Ao exame físico, a lactente apresenta-se em bom estado geral, corada, hidratada, afebril, consciente, com boa perfusão periférica, saturação de oxigênio de 98% em ar ambiente, BNF 2T sem sopro audível, frequência cardíaca = 230 bpm, ausência de edema e pulsos de boa amplitude. A eletrocardiograma apresenta: onda P não visível; intervalo RR fixo; QRS estreito (menor que 0,09 segundos). Diante desse quadro, além da manobra vagal, a conduta inicial adequada é:
TSV estável em lactente → Manobra vagal (gelo na face) seguida de Adenosina (0,1 mg/kg).
A Taquicardia Supraventricular (TSV) é a taquiarritmia mais comum na infância. Em pacientes estáveis, o tratamento farmacológico de escolha é a adenosina após falha de manobras vagais.
A Taquicardia Supraventricular (TSV) em pediatria exige reconhecimento rápido da estabilidade hemodinâmica. Pacientes estáveis (boa perfusão, pulsos normais, nível de consciência preservado) permitem uma abordagem escalonada. O protocolo PALS preconiza manobras vagais como primeira linha, seguidas pela adenosina, um nucleosídeo de meia-vida ultra-curta que bloqueia temporariamente a condução no nó atrioventricular. A cardioversão elétrica sincronizada (0,5 a 2 J/kg) é reservada estritamente para casos de instabilidade hemodinâmica ou falha total do tratamento farmacológico.
A TSV caracteriza-se por uma frequência cardíaca geralmente > 220 bpm em lactentes (ou > 180 bpm em crianças), com intervalo RR fixo, ausência de ondas P visíveis e complexo QRS estreito (< 0,09s). Diferencia-se da taquicardia sinusal pela falta de variabilidade da FC e ausência de ondas P normais.
A manobra mais eficaz em lactentes é a aplicação de uma bolsa de gelo ou água gelada na face (reflexo de mergulho) por 15 a 20 segundos, evitando a compressão ocular ou do seio carotídeo, que são contraindicadas nessa faixa etária.
A adenosina deve ser administrada em bolus rápido (técnica de duas seringas ou 'stopcock') em veia calibrosa e proximal, seguida de flush de soro fisiológico. A dose inicial é 0,1 mg/kg, podendo ser dobrada para 0,2 mg/kg em uma segunda tentativa se necessário.
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