Manejo da Taquicardia Supraventricular Instável em Pediatria

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2025

Enunciado

Um paciente, 7 anos de idade, previamente hígido, com história de dor torácica súbita deu entrada no PSI. Peso 30 kg. Exame físico: o menino está agitado; acianótico; anictérico; afebril; taquicárdico; e taquipneico. Ausculta pulmonar sem alterações; frequência respiratória de 55 ipm, sat 91% AA; frequência cardíaca de 195 bpm; pressão arterial de 82 x 58 mmHg, abdome RH + sem alterações. O monitor a seguir apresenta o ritmo apresentado pelo paciente: Com base nessa situação hipotética, e no quadro ilustrado, a conduta a ser realizada nesse caso, em um primeiro momento, é a:

Alternativas

  1. A) Manobra vagal.
  2. B) Cardioversão farmacológica com amiodarona.
  3. C) Cardioversão sincronizada 15 j.
  4. D) Cardioversão sincronizada com 60 j. E) Desfribilação com 60 j.

Pérola Clínica

TSV instável em pediatria → Cardioversão sincronizada imediata (0,5 a 1 J/kg inicial).

Resumo-Chave

Em crianças com taquiarritmias e sinais de instabilidade (hipotensão, má perfusão), a cardioversão elétrica sincronizada é a prioridade; a dose inicial recomendada pelo PALS é de 0,5 a 1 J/kg.

Contexto Educacional

O reconhecimento rápido de taquiarritmias na pediatria é vital. A Taquicardia Supraventricular (TSV) é a arritmia sintomática mais comum na infância, caracterizada por FC geralmente >220 bpm em lactentes ou >180 bpm em crianças maiores, com QRS estreito e ausência de variabilidade da FC com a atividade. O algoritmo de tratamento depende da estabilidade. Se estável, manobras vagais ou adenosina podem ser tentadas. Se instável (como o paciente do caso, com hipotensão e agitação), a cardioversão elétrica sincronizada é mandatória. O cálculo da carga deve ser preciso: 0,5 a 1 J/kg na primeira dose. O uso de sedação deve ser considerado se não atrasar o procedimento, mas a prioridade é a reversão do ritmo para restaurar o débito cardíaco.

Perguntas Frequentes

Como identificar instabilidade na taquicardia pediátrica?

A instabilidade hemodinâmica em uma criança com taquiarritmia é definida pela presença de sinais de choque (má perfusão periférica, pulsos finos, tempo de enchimento capilar prolongado), alteração do nível de consciência ou hipotensão arterial. No caso clínico, o paciente de 7 anos apresenta taquicardia extrema (195 bpm), taquipneia (55 ipm) e hipotensão (PA 82x58 mmHg - o limite inferior para 7 anos é aproximadamente 84 mmHg), o que caracteriza um quadro de choque descompensado exigindo intervenção imediata.

Qual a dose de carga para cardioversão sincronizada no PALS?

De acordo com as diretrizes do PALS (Pediatric Advanced Life Support), a carga inicial para cardioversão elétrica sincronizada em taquiarritmias instáveis é de 0,5 a 1 J/kg. Se a primeira tentativa não for bem-sucedida, a carga pode ser aumentada para 2 J/kg em tentativas subsequentes. Para o paciente de 30 kg, a carga inicial de 15 J (0,5 J/kg) está correta conforme o gabarito, embora alguns protocolos aceitem iniciar com doses mais próximas de 1 J/kg (30 J).

Por que usar cardioversão sincronizada e não desfibrilação?

A cardioversão sincronizada é utilizada em ritmos organizados que possuem complexo QRS (como TSV ou Taquicardia Ventricular com pulso), onde o choque é disparado exatamente na onda R para evitar que caia no período refratário relativo (onda T), o que poderia induzir fibrilação ventricular (fenômeno R sobre T). A desfibrilação (choque não sincronizado) é reservada exclusivamente para ritmos de parada cardiorrespiratória sem pulso organizado, como Fibrilação Ventricular ou Taquicardia Ventricular sem pulso.

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