Taquicardia Supraventricular: Diagnóstico e Manejo Agudo

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2020

Enunciado

Marieta, 32 anos, procura o serviço de urgência referindo palpitação iniciada há aproximadamente 40 minutos, associada a tontura e boca seca. Já havia apresentado episódios semelhantes no passado, que duravam apenas poucos minutos. Relata problemas no relacionamento, estando muito estressada e ansiosa nos últimos dias. Ao exame, encontra-se lúcida e orientada, com pressão arterial de 120x80mmHg, frequência respiratória de 20ipm, e SO₂ de 99% em ar ambiente. Você coloca a paciente no monitor cardíaco e obtém o traçado a seguir. Sobre o caso descrito, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Trata-se de taquicardia sinusal, compatível com o momento de estresse descrito pela paciente. Recomenda-se o uso de ansiolíticos, como benzodiazepínicos.
  2. B) Trata-se de taquicardia supraventricular por reentrada nodal. Para sua reversão, podem ser tentadas manobras de Valsalva ou uso de adenosina EV.
  3. C) Trata-se de ataque de pânico. Deve-se tranquilizar a paciente sobre a natureza dos seus sintomas, enfatizando o caráter benigno e transitório do quadro apresentado.
  4. D) Trata-se de fibrilação atrial de alta resposta ventricular. Deve-se fazer controle de frequência cardíaca, e solicitar ecocardiograma transesofágico para nortear cardioversão.

Pérola Clínica

Palpitação súbita + QRS estreito = TSVRN. Tentar Valsalva ou Adenosina EV para reversão.

Resumo-Chave

A taquicardia supraventricular por reentrada nodal (TSVRN) é uma arritmia comum, caracterizada por início e término súbitos. A apresentação clínica com palpitação e tontura é típica, e o estresse pode ser um gatilho. O tratamento inicial envolve manobras vagais, como a de Valsalva, e se ineficazes, adenosina intravenosa.

Contexto Educacional

A taquicardia supraventricular por reentrada nodal (TSVRN) é a forma mais comum de taquicardia supraventricular paroxística, afetando predominantemente jovens e adultos. Caracteriza-se por episódios súbitos de palpitações, tontura e ansiedade, muitas vezes desencadeados por estresse ou consumo de estimulantes. É crucial para o residente reconhecer essa arritmia devido à sua prevalência e à necessidade de manejo agudo. Fisiopatologicamente, a TSVRN envolve um circuito de reentrada dentro do nó atrioventricular, utilizando duas vias com diferentes propriedades de condução. O diagnóstico é feito clinicamente e confirmado pelo eletrocardiograma, que tipicamente mostra uma taquicardia de QRS estreito e regular, com frequência cardíaca entre 150-250 bpm, e ondas P frequentemente ocultas ou retrógradas. A suspeita deve surgir em pacientes com palpitações paroxísticas e sem cardiopatia estrutural evidente. O tratamento agudo da TSVRN visa interromper o circuito de reentrada. As manobras vagais, como a manobra de Valsalva modificada, são a primeira linha de ação. Se não houver sucesso, a adenosina intravenosa é o fármaco de escolha, com alta taxa de sucesso na reversão. Para prevenção de recorrências, podem ser utilizados betabloqueadores ou bloqueadores dos canais de cálcio, e em casos refratários, a ablação por cateter é curativa.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da taquicardia supraventricular?

A taquicardia supraventricular (TSV) manifesta-se tipicamente com palpitações de início e término súbitos, tontura, dor torácica, dispneia e, em casos graves, síncope.

Qual a conduta inicial para reverter uma TSV?

A conduta inicial para TSV estável inclui manobras vagais, como a manobra de Valsalva modificada. Se ineficazes, a adenosina intravenosa é o fármaco de primeira linha para reversão.

Como diferenciar taquicardia sinusal de TSV no ECG?

A taquicardia sinusal apresenta ondas P sinusais precedendo cada QRS, com início e término graduais. A TSV, especialmente a por reentrada nodal, tem QRS estreito, início e término súbitos, e as ondas P podem estar ocultas no QRS ou serem retrógradas.

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