HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2025
Escolar de 8 anos, sexo masculino, com episódios recorrentes de palpitações e desconforto no peito nas últimas horas. Os pais negam histórico prévio de problemas cardíacos ou episódios semelhantes. No momento da avaliação, o paciente está ansioso e relata sentir o coração “batendo muito rápido”. Ele parece desconfortável e agitado, mas colabora com o atendimento quando solicitado. Ao exame físico, FC = 187 bpm, PA = 98 x 56 (70) mmHg, tempo de enchimento capilar de 2 segundos, pulsos periféricos cheios e simétricos, FR = 32 ipm,SatO₂ = 98% em ar ambiente, sem desconforto respiratório. No monitor cardíaco, nota-se o seguinte ritmo:Com base no fluxograma de avaliação de taquicardias do PALS (Pediatric Advanced Life Support), qual é a conduta mais apropriada a ser realizada inicialmente para esse paciente?
PALS: Taquicardia com QRS estreito e estável → 1º Manobras vagais; se falha → 2º Adenosina IV.
Em uma criança hemodinamicamente estável com taquicardia de complexo QRS estreito (sugestiva de TSV), a abordagem inicial é sempre a menos invasiva. Manobras vagais são seguras e podem reverter o ritmo; a adenosina é a segunda linha farmacológica antes de se considerar opções mais agressivas.
A abordagem da taquicardia em pediatria, guiada pelo PALS (Pediatric Advanced Life Support), inicia-se com a avaliação da estabilidade hemodinâmica do paciente. A presença de pulso, pressão arterial, perfusão periférica e nível de consciência determina se a conduta será emergencial ou sequencial. No caso de uma criança com taquicardia e sinais de perfusão adequada (estável), o próximo passo é analisar a duração do complexo QRS no monitor. Uma taquicardia de complexo QRS estreito (< 0,09s), como a do caso, é muito sugestiva de Taquicardia Supraventricular (TSV). O algoritmo para TSV estável preconiza uma abordagem escalonada e minimamente invasiva. A primeira linha de tratamento consiste em manobras vagais, que aumentam o tônus parassimpático e podem interromper o circuito de reentrada no nó atrioventricular, revertendo a arritmia. Se as manobras falharem, a segunda linha é a administração de adenosina em acesso venoso rápido. A cardioversão elétrica sincronizada é reservada apenas para pacientes instáveis, devido aos riscos associados ao procedimento.
A TSV tipicamente se apresenta como uma taquicardia regular com complexo QRS estreito (< 0,09s em crianças). A frequência cardíaca é anormalmente elevada e constante, geralmente acima de 220 bpm em lactentes e acima de 180 bpm em crianças maiores.
Em uma criança colaborativa, pode-se tentar a manobra de Valsalva (pedir para soprar contra uma resistência, como um êmbolo de seringa) ou aplicar uma bolsa de gelo ou compressa com água gelada no rosto por 15-20 segundos. A massagem do seio carotídeo deve ser evitada.
A cardioversão elétrica sincronizada é indicada em qualquer taquiarritmia (QRS estreito ou largo) que cause instabilidade hemodinâmica, manifestada por hipotensão, alteração do estado mental, pulsos finos ou outros sinais de choque. A dose inicial para TSV é de 0,5 a 1 J/kg.
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