Taquicardia Supraventricular em Pediatria: Conduta na Instabilidade

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025

Enunciado

Lactente com 13 meses é admitido em Emergência Pediátrica com taquidispneia iniciada há 2 horas em casa. Mãe do menor nega a ocorrência de febre, vômitos, diarreia, tosse ou outros sintomas. Menor passou o dia em casa, sem alterações perceptíveis, quando no início da noite ficou “cansado”, além de apresentar sudorese importante. Ao exame físico, estava agitado, taquidispneico 2+/4+, FR 60 ipm, SatO2 91%, FC em torno de 280 bpm, pulsos centrais finos e tempo de enchimento capilar de 4 segundos. O pediatra pediu um ECG para a equipe de enfermagem, além de solicitar acesso venoso e instalar máscara não reinalante. O traçado do ECG encontra-se a seguir: Diante do exposto, torna-se imperativo que a próxima conduta do médico seja a seguinte:

Alternativas

  1. A) Administrar amiodarona endovenosa em 1 hora.
  2. B) Administrar adenosina endovenosa em bolus.
  3. C) Administrar lidocaína endovenosa em bolus.
  4. D) Realizar cardioversão.
  5. E) Realizar desfibrilação.

Pérola Clínica

TSV + Sinais de choque (enchimento capilar >2s) → Cardioversão elétrica sincronizada imediata.

Resumo-Chave

Na presença de instabilidade hemodinâmica em pediatria decorrente de taquiarritmias, a cardioversão elétrica precede a tentativa farmacológica para restaurar o débito cardíaco.

Contexto Educacional

A taquicardia supraventricular (TSV) é a taquiarritmia sintomática mais comum na infância. Em lactentes, a frequência cardíaca costuma ultrapassar 220 bpm com complexos QRS estreitos e ausência de ondas P visíveis. O manejo é ditado pela estabilidade hemodinâmica. O caso descreve um lactente com sinais de choque (pulsos finos, enchimento capilar de 4s, agitação). Nestas circunstâncias, a cardioversão elétrica sincronizada é a conduta prioritária para evitar a progressão para parada cardiorrespiratória.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais de instabilidade na TSV pediátrica?

Os sinais de instabilidade incluem alteração do nível de consciência (agitação ou letargia), sinais de má perfusão tecidual (tempo de enchimento capilar > 2 segundos, pulsos periféricos finos, extremidades frias), hipotensão arterial (sinal tardio) e insuficiência respiratória/insuficiência cardíaca congestiva. Na presença de qualquer um desses sinais associado a uma frequência cardíaca compatível com TSV (>220 em lactentes ou >180 em crianças), a intervenção deve ser imediata.

Qual a carga inicial para cardioversão em crianças?

De acordo com o PALS, a carga inicial para cardioversão elétrica sincronizada é de 0,5 a 1,0 J/kg. Se a arritmia persistir, a carga pode ser aumentada para 2 J/kg nas tentativas subsequentes. É fundamental garantir que o desfibrilador esteja no modo 'sincronizado' para evitar a indução de fibrilação ventricular (fenômeno R sobre T).

Quando usar adenosina na TSV pediátrica?

A adenosina é o tratamento de escolha para TSV em pacientes estáveis ou naqueles instáveis onde o acesso venoso já está prontamente disponível e a administração não retardará a cardioversão. A dose inicial é de 0,1 mg/kg (máx 6 mg) em bolus rápido, seguida de flush de soro fisiológico. Se não houver resposta, pode-se dobrar a dose para 0,2 mg/kg (máx 12 mg).

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