Taquicardia Supraventricular Pediátrica: Manejo e Adenosina

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2023

Enunciado

Pré-escolar, sexo feminino, 4 anos de idade, apresenta quadro de tosse e febre há 1 dia. Hoje mãe notou que ela estava mais prostrada e reclamando de dor torácica, então resolveu levá-la ao pronto atendimento. Na triagem, notado frequência cardíaca de 234 bpm, sendo encaminhada diretamente à sala de emergência. Na avaliação, apresenta pulso central presente e ritmo respiratório regular. Apresenta vias aéreas pérvias, frequência respiratória de 26 irpm, saturação de oxigênio de 96%. Oferecido oxigênio em máscara não-reinalante, com aumento da saturação para 100%. Obtido acesso venoso e instalada monitorização, com frequência cardíaca de 228 bpm, pressão arterial de 80 x 58 mmHg. Pulsos periféricos finos e rápidos, tempo de enchimento capilar de 2 segundos, glicemia capilar de 98 mg/dL. Aplicado gelo em face, sem mudança dos parâmetros. Realizado eletrocardiograma conforme imagem abaixo. Assinale a alternativa que contém a melhor opção para continuidade das condutas preconizadas:

Alternativas

  1. A) Administrar adenosina endovenosa.
  2. B) Iniciar compressões torácicas.
  3. C) Realizar desfibrilação.
  4. D) Infundir soro fisiológico 20 mL/kg.
  5. E) Transferir para serviço cardiológico de referência.

Pérola Clínica

TSV em criança com instabilidade hemodinâmica (PA ↓, pulsos finos) → Adenosina EV é a primeira linha, se manobras vagais falham.

Resumo-Chave

A criança apresenta taquicardia supraventricular com sinais de instabilidade hemodinâmica (hipotensão, pulsos finos), o que indica a necessidade de intervenção rápida. Após falha de manobras vagais (gelo em face), a adenosina endovenosa é a droga de escolha para reverter a TSV.

Contexto Educacional

A taquicardia supraventricular (TSV) é a arritmia mais comum em crianças, e seu reconhecimento e manejo adequados são cruciais em emergências pediátricas. A TSV é caracterizada por uma frequência cardíaca elevada, geralmente >220 bpm em lactentes e >180 bpm em crianças maiores, com complexos QRS estreitos. A apresentação clínica varia desde sintomas inespecíficos até sinais de choque cardiogênico, dependendo da frequência e da duração da taquicardia. O diagnóstico é feito pelo eletrocardiograma (ECG), que mostra QRS estreito e ausência de onda P visível ou P retrógrada. O manejo inicial depende da estabilidade hemodinâmica do paciente. Em crianças instáveis (hipotensão, alteração do nível de consciência, pulsos diminuídos, TPC prolongado), as manobras vagais (como gelo em face para lactentes ou manobra de Valsalva para crianças maiores) devem ser tentadas primeiro. Se falharem, a adenosina endovenosa é a droga de primeira escolha, administrada em bolus rápido seguido de flush de soro fisiológico. Caso a adenosina falhe ou a instabilidade seja grave e refratária, a cardioversão elétrica sincronizada é a próxima etapa. É fundamental que residentes dominem o algoritmo de tratamento da TSV pediátrica, incluindo as doses corretas de adenosina e a técnica de cardioversão, para garantir o melhor desfecho para esses pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de instabilidade hemodinâmica em crianças com taquicardia?

Sinais de instabilidade incluem hipotensão, alteração do nível de consciência, pulsos periféricos diminuídos, tempo de enchimento capilar prolongado, pele fria e marmórea, e sinais de choque.

Qual a dose e via de administração da adenosina em crianças?

A adenosina é administrada por via endovenosa rápida, com dose inicial de 0,1 mg/kg (máximo 6 mg), seguida de um flush de soro fisiológico. Se não houver reversão, pode-se repetir com 0,2 mg/kg (máximo 12 mg).

Quando a cardioversão elétrica é indicada na TSV pediátrica?

A cardioversão elétrica sincronizada é indicada na TSV pediátrica quando há instabilidade hemodinâmica grave e refratária às manobras vagais e à adenosina, ou em casos de parada cardiorrespiratória.

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