TSV Pediátrica: Manejo e Escolha de Antiarrítmicos

HMMG - Hospital e Maternidade Municipal de Guarulhos (SP) — Prova 2020

Enunciado

Considerando a taquicardia supraventricular (TSV) em pediatria, assinale a alternativa correta quanto ao seu manejo:

Alternativas

  1. A) Na TSV refratária pode estar indicado o uso combinado ou seriado de bloqueadores dos canais de cálcio, betabloqueadores ou demais antiarrítmicos endovenosos.
  2. B) Adenosina deve ser administrada lentamente, sob risco de causar bradicardia.
  3. C) Após a dose de ataque de adenosina, deixar contínuo 10mg/Kg/dia.
  4. D) Nos pacientes com função ventricular comprometida ou no pós-operatório de cirurgia cardíaca a amiodarona é uma boa opção.

Pérola Clínica

TSV pediátrica com função ventricular comprometida ou pós-cirurgia cardíaca → Amiodarona é uma opção segura e eficaz.

Resumo-Chave

A amiodarona é um antiarrítmico de classe III que, devido ao seu perfil de segurança hemodinâmica e eficácia em diversas arritmias, é uma excelente escolha para o manejo da TSV em pacientes pediátricos com disfunção ventricular ou no pós-operatório de cirurgia cardíaca, onde outros agentes podem ser contraindicados ou menos tolerados.

Contexto Educacional

A taquicardia supraventricular (TSV) é a arritmia mais comum em crianças, caracterizada por uma frequência cardíaca elevada que se origina acima do ventrículo. Embora muitas vezes benigna, pode levar à instabilidade hemodinâmica, especialmente em lactentes ou crianças com cardiopatia estrutural. O manejo adequado é crucial e depende da estabilidade clínica do paciente. Em pacientes estáveis, as manobras vagais (ex: compressão ocular, bolsa de gelo na face) são a primeira abordagem. Se ineficazes, a adenosina é o fármaco de escolha, administrada em bolus IV rápido devido à sua meia-vida ultracurta. A adenosina atua bloqueando o nó AV, interrompendo o circuito de reentrada. Em casos de instabilidade hemodinâmica, a cardioversão elétrica sincronizada é a medida mais urgente e eficaz. Para pacientes com TSV refratária ou com cardiopatia estrutural subjacente, como disfunção ventricular ou pós-operatório de cirurgia cardíaca, a escolha do antiarrítmico é mais complexa. Nesses cenários, a amiodarona é frequentemente uma opção preferencial devido ao seu perfil de segurança hemodinâmica e ampla eficácia antiarrítmica, com menor risco de depressão miocárdica em comparação com outros agentes. Outras opções incluem betabloqueadores e bloqueadores dos canais de cálcio, mas devem ser usados com cautela em pacientes com função ventricular comprometida. O conhecimento aprofundado do manejo da TSV pediátrica é vital para a prática clínica e provas de residência.

Perguntas Frequentes

Qual a primeira linha de tratamento para TSV estável em pediatria?

A primeira linha para TSV estável em pediatria são as manobras vagais. Se ineficazes, a adenosina em bolus IV rápido é o tratamento farmacológico de escolha, seguida de cardioversão sincronizada se houver instabilidade hemodinâmica.

Por que a amiodarona é indicada em pacientes com função ventricular comprometida?

A amiodarona é preferida em pacientes com função ventricular comprometida ou cardiopatia estrutural devido ao seu menor efeito inotrópico negativo em comparação com outros antiarrítmicos, minimizando o risco de piora da disfunção cardíaca.

Como a adenosina deve ser administrada em crianças?

A adenosina deve ser administrada em bolus intravenoso rápido (0,1 mg/kg, podendo dobrar a dose até 0,3 mg/kg ou máximo de 12 mg), seguida imediatamente por um flush de soro fisiológico, para garantir que atinja o coração rapidamente e maximize seu efeito.

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