TSV em Lactentes: Diagnóstico e Cardioversão Imediata

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2022

Enunciado

Lactente, 5 meses, é atendido em pronto-socorro pediátrico, com queixa materna de estar hipoativo e “mamando menos”. Está pálido, pouco responsivo, com cianose labial e de extremidades. No exame físico, está afebril, com diminuição do nível de consciência, com frequência respiratória de 68 movimentos/minuto e oximetria evidenciando saturação de O₂ de 85%. PA inaudível. Os pulsos periféricos são finos e o tempo de enchimento capilar de 5 segundos. Um eletrocardiograma é obtido: frequência cardíaca (checada no monitor) de 234 batimentos/minuto, QRS estreito, ritmo regular e dificuldade de visualização da onda P.O diagnóstico e a próxima conduta são, respectivamente,

Alternativas

  1. A) taquicardia sinusal; analgésico.
  2. B) taquicardia supraventricular; massagem carotídea.
  3. C) taquicardia ventricular; cardioversão sincronizada.
  4. D) taquicardia ventricular; adenosina.
  5. E) taquicardia supraventricular; cardioversão sincronizada.

Pérola Clínica

Lactente com choque + Taquicardia QRS estreito, regular, FC > 220 bpm → Taquicardia Supraventricular (TSV) instável = Cardioversão Sincronizada.

Resumo-Chave

O lactente apresenta sinais claros de choque (hipoatividade, palidez, cianose, PA inaudível, pulsos finos, TEC prolongado) e uma taquicardia de QRS estreito, regular, com frequência cardíaca muito elevada (234 bpm), e dificuldade de visualização da onda P. Este quadro é clássico de Taquicardia Supraventricular (TSV) com instabilidade hemodinâmica. Nesses casos, a conduta de escolha é a cardioversão sincronizada imediata.

Contexto Educacional

A taquicardia supraventricular (TSV) é a arritmia mais comum em lactentes e crianças, caracterizada por uma frequência cardíaca muito elevada, geralmente acima de 220 bpm em lactentes, com QRS estreito e ritmo regular. A importância clínica reside na sua capacidade de levar rapidamente à instabilidade hemodinâmica e choque cardiogênico, especialmente em lactentes, devido à imaturidade do miocárdio e à dependência da frequência cardíaca para o débito cardíaco. O reconhecimento precoce e a intervenção adequada são cruciais para prevenir morbidade e mortalidade. O diagnóstico da TSV em lactentes baseia-se na apresentação clínica de taquicardia com sinais de má perfusão (palidez, cianose, pulsos finos, tempo de enchimento capilar prolongado, hipotensão) e no eletrocardiograma (ECG) que mostra QRS estreito, ritmo regular e ausência ou dificuldade de visualização da onda P. A diferenciação com taquicardia sinusal é vital, pois esta última geralmente tem ondas P visíveis e uma frequência cardíaca que raramente atinge os níveis extremos da TSV. A fisiopatologia da TSV envolve geralmente um circuito de reentrada no nó atrioventricular ou vias acessórias. O manejo da TSV depende da estabilidade hemodinâmica do paciente. Em lactentes com sinais de choque, como descrito no enunciado, a conduta de escolha é a cardioversão sincronizada imediata. Esta é uma medida salvadora de vidas que restaura o ritmo sinusal. Em pacientes hemodinamicamente estáveis, manobras vagais (como bolsa de gelo na face) e a administração de adenosina intravenosa são as opções de tratamento de primeira linha. O acompanhamento a longo prazo pode envolver medicação antiarrítmica ou ablação por cateter para prevenir recorrências.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de instabilidade hemodinâmica em um lactente com taquicardia?

Sinais de instabilidade incluem diminuição do nível de consciência, palidez, cianose, tempo de enchimento capilar prolongado (>2 segundos), pulsos periféricos finos ou ausentes, hipotensão (PA inaudível), taquipneia e má perfusão periférica. A presença desses sinais indica a necessidade de intervenção imediata.

Qual a diferença entre taquicardia sinusal e taquicardia supraventricular em lactentes?

Na taquicardia sinusal, a onda P é visível e precede cada QRS, e a frequência cardíaca geralmente não excede 220 bpm em lactentes, sendo uma resposta fisiológica ao estresse. Na TSV, a onda P é frequentemente ausente, invertida ou oculta no QRS, e a FC é tipicamente muito alta (>220 bpm em lactentes), com início e término abruptos.

Quando a adenosina é utilizada no tratamento da TSV pediátrica?

A adenosina é o tratamento farmacológico de primeira linha para TSV em pacientes pediátricos hemodinamicamente estáveis. Ela atua bloqueando o nó AV, interrompendo o circuito de reentrada. Em pacientes instáveis, a cardioversão sincronizada é preferível, mas a adenosina pode ser usada se a cardioversão não estiver imediatamente disponível.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo