Manejo da Taquicardia Supraventricular Instável em Lactentes

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um lactente de 4 meses de idade é levado à Unidade de Pronto Atendimento com história de palidez cutânea, sudorese fria e gemência iniciadas há cerca de 4 horas. A mãe relata que o bebê apresenta recusa alimentar completa desde o início dos sintomas e parece estar 'muito cansado'. Ao exame físico inicial, a criança apresenta-se irritada e hipoperfundida, com tempo de enchimento capilar de 5 segundos, pulsos periféricos filiformes e extremidades frias. A frequência respiratória é de 58 irpm, com leve tiragem subcostal, e o fígado é palpável a 3,5 cm do rebordo costal direito. A monitorização cardíaca revela um ritmo regular, com frequência cardíaca mantida em 248 bpm, sem variabilidade durante a aspiração ou choro. O eletrocardiograma de 12 derivações demonstra complexos QRS com duração de 0,06 segundos e ausência de ondas P precedendo os complexos. Com base na principal hipótese diagnóstica, qual a conduta imediata mais adequada para este paciente?

Alternativas

  1. A) Administrar adenosina na dose de 0,1 mg/kg por via intravenosa em bólus rápido.
  2. B) Realizar manobra de 'mergulho' (ice bag) com aplicação de bolsa de gelo na face por 15 segundos.
  3. C) Realizar expansão volêmica imediata com soro fisiológico 0,9% na dose de 20 mL/kg.
  4. D) Proceder com cardioversão elétrica sincronizada na dose de 0,5 a 1 J/kg.

Pérola Clínica

TSV instável (choque/IC) em pediatria → Cardioversão Elétrica Sincronizada imediata (0,5-1 J/kg).

Resumo-Chave

A frequência cardíaca fixa (248 bpm) e o QRS estreito sem ondas P definem a Taquicardia Supraventricular. A presença de sinais de choque (má perfusão, pulsos filiformes) e insuficiência cardíaca (hepatomegalia) classifica o quadro como instável.

Contexto Educacional

A Taquicardia Supraventricular (TSV) é a taquiarritmia sintomática mais comum na infância. Em lactentes, os sintomas são frequentemente inespecíficos, como irritabilidade, palidez e recusa alimentar, o que pode retardar o diagnóstico até que sinais de insuficiência cardíaca congestiva (ICC) ou choque cardiogênico apareçam. A fisiopatologia envolve um circuito de reentrada ou foco ectópico que mantém frequências cardíacas extremamente elevadas, impedindo o enchimento ventricular adequado e reduzindo drasticamente o volume sistólico. O manejo segue o protocolo de suporte avançado de vida em pediatria (PALS). A identificação da instabilidade é o divisor de águas: sinais de má perfusão tecidual, alteração do nível de consciência ou congestão sistêmica (hepatomegalia) exigem terapia elétrica imediata. A cardioversão sincronizada é preferida nesses casos por sua alta eficácia e rapidez em reverter o ritmo, enquanto a terapia farmacológica com adenosina fica reservada para casos estáveis ou como ponte rápida se o acesso vascular for imediato.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar TSV de Taquicardia Sinusal em lactentes?

A diferenciação baseia-se na frequência cardíaca, variabilidade e morfologia da onda P. Na Taquicardia Sinusal, a FC costuma ser inferior a 220 bpm em lactentes, apresenta variabilidade com estímulos (dor, choro) e ondas P normais precedendo o QRS. Na Taquicardia Supraventricular (TSV), a FC é geralmente superior a 220 bpm, é fixa (sem variabilidade), e as ondas P estão ausentes ou são anormais (retrógradas). O quadro clínico de TSV frequentemente evolui com sinais de insuficiência cardíaca, como hepatomegalia e má perfusão, devido ao encurtamento excessivo do tempo de enchimento diastólico.

Quando optar por adenosina em vez de cardioversão na TSV pediátrica?

A adenosina é a droga de escolha para pacientes com Taquicardia Supraventricular que estão hemodinamicamente estáveis. Ela pode ser tentada em pacientes instáveis apenas se o acesso intravenoso ou intraósseo já estiver disponível e se a administração não causar atraso na preparação para a cardioversão elétrica sincronizada. Caso o paciente apresente sinais de choque grave, como no caso clínico descrito (enchimento capilar lentificado, pulsos filiformes e hepatomegalia), a prioridade absoluta é a cardioversão elétrica sincronizada para restaurar o débito cardíaco imediatamente.

Qual a carga recomendada para cardioversão elétrica em pediatria?

De acordo com as diretrizes do PALS (Pediatric Advanced Life Support), a carga inicial para a cardioversão elétrica sincronizada em pediatria é de 0,5 a 1 J/kg. Se a primeira tentativa não for eficaz, a carga pode ser aumentada para 2 J/kg nas tentativas subsequentes. É fundamental garantir que o desfibrilador esteja no modo 'Sincronizado' para evitar que o choque caia sobre a onda T, o que poderia induzir uma fibrilação ventricular (fenômeno R sobre T). A sedação deve ser considerada se o paciente estiver consciente e o procedimento não atrasar a intervenção salvadora.

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