Taquicardia Supraventricular Pediátrica: Diagnóstico e Tratamento

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2020

Enunciado

Criança de 7 meses de vida, apresenta febre baixa há 5 dias associada à tosse, evoluindo com respiração ofegante e mais choroso que o habitual. Levada em atendimento, apresentava taquipneia e estertoração em base de hemitórax à esquerda. Durante a internação para tratamento da pneumonia, o médico foi acionado para avaliar a paciente, que evoluiu de forma súbita com palidez e agitação. Ao exame, observada taquicardia e extremidades frias. Realizado o eletrocardiograma, visto abaixo. Sobre o caso clínico, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Trata-se de taquicardia sinusal, com indicação de manobra vagal.
  2. B)  O eletrocardiograma demonstra ritmo compatível com taquicardia supraventricular, estando indicada adenosina endovenosa.
  3. C)  Trata-se de taquicardia supraventricular, devendo ser realizada desfibrilação elétrica.
  4. D)  Trata-se de taquicardia ventricular sustentada, estando indicada cardioversão elétrica.
  5. E)  Deve ser aferida a temperatura do paciente por se tratar de taquicardia sinusal provavelmente associada à febre.

Pérola Clínica

TSV em lactente com baixo débito → Adenosina EV. Estável: manobras vagais.

Resumo-Chave

Em lactentes, a taquicardia supraventricular (TSV) pode levar rapidamente a sinais de baixo débito cardíaco. A adenosina endovenosa é a droga de escolha para reverter a TSV em crianças estáveis ou instáveis sem choque refratário.

Contexto Educacional

A taquicardia supraventricular (TSV) é a arritmia mais comum em crianças, especialmente em lactentes. Caracteriza-se por uma frequência cardíaca elevada e regular, com complexos QRS estreitos no eletrocardiograma. Em lactentes, a TSV pode ser mal tolerada devido à menor reserva miocárdica e pode levar rapidamente a sinais de baixo débito cardíaco, como palidez, agitação, taquipneia e extremidades frias, exigindo intervenção imediata. A fisiopatologia da TSV em crianças frequentemente envolve vias acessórias ou reentrada nodal. O diagnóstico é confirmado pelo ECG, que mostra QRS estreito e ausência ou morfologia atípica de ondas P. A diferenciação da taquicardia sinusal é crucial; a TSV geralmente tem frequência cardíaca mais alta para a idade e início/fim súbito. A presença de sinais de baixo débito indica instabilidade hemodinâmica e a necessidade de tratamento rápido. O tratamento inicial para TSV em crianças inclui manobras vagais (ex: bolsa de gelo na face em lactentes). Se ineficazes ou se o paciente estiver instável, a adenosina endovenosa é a droga de primeira linha, administrada em bolus rápido devido à sua meia-vida curta. Em casos de choque refratário à adenosina ou instabilidade hemodinâmica grave, a cardioversão elétrica sincronizada é indicada. O manejo agudo visa restaurar o ritmo sinusal e prevenir recorrências.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de taquicardia supraventricular em um lactente?

Lactentes com TSV podem apresentar irritabilidade, palidez, taquipneia, má alimentação, sudorese e sinais de baixo débito cardíaco, como extremidades frias e tempo de enchimento capilar prolongado. A frequência cardíaca é geralmente >220 bpm.

Qual a conduta inicial para TSV em criança com sinais de baixo débito?

A conduta inicial inclui estabilização da via aérea e respiração, acesso venoso e, se houver sinais de baixo débito, tentar manobras vagais. Se não houver resposta ou se o paciente estiver instável, a adenosina endovenosa é a primeira escolha. Em choque refratário, cardioversão elétrica sincronizada.

Por que a adenosina é o tratamento de escolha para TSV?

A adenosina é um fármaco de ação ultracurta que bloqueia o nó AV, interrompendo o circuito de reentrada da TSV. É eficaz e seguro, com poucos efeitos colaterais transitórios devido à sua rápida metabolização.

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