FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2015
Lactente de oito meses, previamente hígido, é internado com febre baixa, irritabilidade e dispneia. Segundo sua mãe, há 24 horas ela percebeu febre baixa e períodos de agitação sem motivo evidente, com piora há algumas horas, quando apresentou o quadro da internação. Exame físico: Regular estado geral, FR: 68 irpm, FC: 200 bpm, cianose deleito ungueal e hepatomegalia. Neste caso é mais provável tratar-se de insuficiência cardíaca associada a:
Lactente com FC > 180-220 bpm, irritabilidade, dispneia e sinais de IC (hepatomegalia, cianose) → suspeitar de TSV.
A taquicardia supraventricular (TSV) é a arritmia mais comum em lactentes, podendo levar rapidamente à insuficiência cardíaca devido à alta frequência cardíaca que compromete o enchimento ventricular. Sinais como irritabilidade, dispneia, hepatomegalia e cianose são indicativos de descompensação e exigem intervenção imediata.
A Taquicardia Supraventricular (TSV) é a arritmia mais comum em lactentes e crianças, representando uma emergência pediátrica devido ao risco de rápida descompensação hemodinâmica e desenvolvimento de insuficiência cardíaca. A prevalência é maior no primeiro ano de vida. O reconhecimento precoce é vital para evitar morbidade e mortalidade significativas. A fisiopatologia da TSV em lactentes geralmente envolve uma via acessória (reentrada) ou um foco ectópico atrial. A frequência cardíaca extremamente elevada (tipicamente >220 bpm em lactentes) impede o enchimento ventricular adequado, reduzindo o débito cardíaco e levando a sinais de insuficiência cardíaca, como taquipneia, dispneia, irritabilidade, má perfusão, cianose e hepatomegalia. O diagnóstico é confirmado por eletrocardiograma (ECG), que mostra QRS estreito e ausência de onda P visível ou P retrógrada. O tratamento inicial depende da estabilidade hemodinâmica. Em lactentes instáveis (choque, sinais de IC grave), a cardioversão elétrica sincronizada é prioritária. Em pacientes estáveis, manobras vagais (ex: bolsa de gelo na face) podem ser tentadas, seguidas pela administração de adenosina intravenosa, que é o fármaco de escolha para interromper a TSV. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas a recorrência é possível.
Em lactentes, uma frequência cardíaca sustentada acima de 220 bpm (ou >180 bpm em crianças maiores) sem variação com a atividade ou choro, e com início e término abruptos, é altamente sugestiva de TSV.
Sinais de insuficiência cardíaca incluem irritabilidade, dispneia, taquipneia, má perfusão periférica, hepatomegalia, cianose e, em casos avançados, choque.
Em lactentes instáveis, a cardioversão sincronizada é a conduta de escolha. Em pacientes estáveis, manobras vagais podem ser tentadas, seguidas por adenosina intravenosa se as manobras falharem.
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