Taquicardia Supraventricular Pediátrica: Diagnóstico e Manejo

HIFA - Hospital Materno Infantil Francisco de Assis (ES) — Prova 2023

Enunciado

Isadora, 10 anos, sem história prévia de doenças, apresentou subitamente episódio de taquicardia, dificuldade de respirar, acompanhada de palidez e sensação de desmaio. Relata a “sensação do coração estar saindo pela boca”. Nega desmaios ou síncopes. Ao chegar no pronto-atendimento, a pediatra notou olhar ansioso, FC: 220bpm, PA: 120x70mmHg, enchimento capilar adequado. Aparelho Respiratório - FR: 48irpm, sem ruídos adventícios. Abdômen: fígado e baço não palpados. Foi inicialmente tratado com manobras vagais, sem resposta. Um ECG é obtido e mostrou taquicardia, QRS estreito e ausência de onda P. Considerando o caso apresentado, o diagnóstico MAIS provável é de:

Alternativas

  1. A) Taquicardia sinusal.
  2. B) Bloqueio Mobitz tipo I.
  3. C) Taquicardia ventricular monomórfica.
  4. D) Taquicardia supraventricular.

Pérola Clínica

TSV em criança: FC >220bpm, QRS estreito, ausência de onda P, sem resposta a manobras vagais → Adenosina.

Resumo-Chave

A taquicardia supraventricular (TSV) é a taquiarritmia mais comum em crianças. Caracteriza-se por QRS estreito e ausência de onda P, com frequência cardíaca geralmente acima de 220 bpm em lactentes e 180 bpm em crianças maiores. O tratamento inicial inclui manobras vagais, seguidas por adenosina se não houver resposta.

Contexto Educacional

A taquicardia supraventricular (TSV) é a taquiarritmia mais comum na população pediátrica, com uma incidência estimada de 1 em 250 a 1 em 1000 nascidos vivos. É crucial para o residente de pediatria e emergência reconhecer rapidamente esta condição, pois, embora geralmente benigna, pode levar a instabilidade hemodinâmica e insuficiência cardíaca se não tratada. A apresentação clínica varia com a idade, sendo mais inespecífica em lactentes. A fisiopatologia da TSV em crianças frequentemente envolve uma via acessória (reentrada atrioventricular) ou um foco ectópico atrial. O diagnóstico é confirmado pelo eletrocardiograma (ECG), que tipicamente mostra uma taquicardia de QRS estreito (duração < 0,08 segundos) com frequência cardíaca muito elevada (geralmente > 220 bpm em lactentes e > 180 bpm em crianças maiores) e ausência ou morfologia anormal da onda P. A ausência de onda P visível é um achado chave que a diferencia da taquicardia sinusal. O manejo inicial da TSV visa restaurar o ritmo sinusal. Em pacientes estáveis, as manobras vagais são a primeira linha de tratamento. Se ineficazes, a adenosina intravenosa é o fármaco de escolha, administrada em bolus rápido devido à sua meia-vida curta. Em pacientes instáveis (hipotensão, choque, sinais de insuficiência cardíaca), a cardioversão elétrica sincronizada é indicada. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas o acompanhamento cardiológico é essencial para avaliar a necessidade de profilaxia ou ablação.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de taquicardia supraventricular em crianças?

Crianças com TSV podem apresentar palidez, irritabilidade, dificuldade respiratória, dor torácica e sensação de palpitações. Em lactentes, os sinais são mais inespecíficos, como letargia, má alimentação e sinais de insuficiência cardíaca.

Qual a conduta inicial para taquicardia supraventricular em pediatria?

A conduta inicial envolve manobras vagais, como compressão ocular (em crianças maiores e com cautela), bolsa de gelo na face ou manobra de Valsalva. Se ineficazes, a adenosina intravenosa é o tratamento farmacológico de primeira linha para pacientes estáveis.

Como diferenciar taquicardia supraventricular de taquicardia sinusal no ECG pediátrico?

A TSV é caracterizada por QRS estreito, FC muito elevada (>220 bpm em lactentes) e ausência ou morfologia anormal da onda P. A taquicardia sinusal, por outro lado, apresenta onda P sinusal normal e FC geralmente inferior, com início e término mais graduais e responsiva a estímulos fisiológicos.

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