UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2024
Menino, 5 meses, é admitido no setor de terapia intensiva pediátrica com história de irritabilidade e baixa ingestão alimentar nas últimas 48 horas. Exame físico: irritado; choro inconsolável; afebril; FC = 220bpm, PA = 85x45mmHg; SpO2 = 97% em ar ambiente; pulsos palpáveis (periféricos e centrais). ECG a seguir:O fármaco melhor indicado para o menino, neste momento é:
TSV em lactente com instabilidade hemodinâmica → Adenosina IV (se QRS estreito) ou cardioversão.
A taquicardia supraventricular (TSV) em lactentes pode levar rapidamente à instabilidade hemodinâmica devido à dependência do débito cardíaco da frequência cardíaca. A adenosina é o fármaco de primeira linha para TSV de QRS estreito em crianças hemodinamicamente estáveis ou instáveis, após falha das manobras vagais.
A taquicardia supraventricular (TSV) é a arritmia mais comum em crianças, especialmente em lactentes. Em neonatos e lactentes, a TSV pode ser particularmente perigosa, pois o débito cardíaco é altamente dependente da frequência cardíaca. Frequências cardíacas acima de 220 bpm em lactentes podem levar rapidamente à disfunção miocárdica e choque cardiogênico, manifestando-se com irritabilidade, má ingestão, palidez e sinais de má perfusão. O diagnóstico de TSV é feito pelo eletrocardiograma (ECG), que tipicamente mostra uma taquicardia de QRS estreito (geralmente <0,08s) com frequência cardíaca muito elevada para a idade. O manejo inicial envolve a avaliação da estabilidade hemodinâmica. Em pacientes estáveis, manobras vagais (como compressão ocular, bolsa de gelo na face) podem ser tentadas. No entanto, em lactentes com sinais de instabilidade (hipotensão, má perfusão, alteração do nível de consciência), o tratamento farmacológico ou a cardioversão elétrica são urgentes. A adenosina é o fármaco de escolha para a reversão da TSV de QRS estreito em crianças, administrada em bolus intravenoso rápido, seguida de flush de soro fisiológico. Sua ação é de curta duração e bloqueia o nó AV, interrompendo o circuito de reentrada. Se a adenosina falhar ou se o paciente estiver gravemente instável, a cardioversão elétrica sincronizada deve ser realizada prontamente. É crucial que os residentes reconheçam e tratem a TSV pediátrica de forma rápida e eficaz para prevenir complicações graves.
Sinais de instabilidade incluem alteração do nível de consciência (irritabilidade, letargia), má perfusão periférica (tempo de enchimento capilar >3s, pulsos débeis), hipotensão, taquipneia e má ingestão alimentar.
A dose inicial de adenosina é de 0,1 mg/kg em bolus IV rápido, seguida de flush de soro fisiológico. Pode ser repetida com doses crescentes de 0,2 mg/kg se a primeira dose não for eficaz.
A cardioversão elétrica sincronizada é indicada para TSV em lactentes com instabilidade hemodinâmica grave que não respondem às manobras vagais e à adenosina, ou quando há contraindicação ao uso da adenosina.
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