SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2021
Uma paciente de 11 anos de idade deu entrada na unidade de pronto atendimento com queixa de mal-estar. Na triagem, apresenta FC = 230 bpm, FR = 28 irpm, SatO2 = 97% em AA, T = 37,2 ºC e pressão arterial no P50. A enfermeira rapidamente transferiu a paciente para a sala de emergência e solicitou avaliação médica. Ao exame físico, ela mostra-se em BEG, corada, hidratada; cardio: búlhas rítmicas normofonéticas tipo 2 sem sopros audíveis, taquicárdica; pulmonar: murmúrio ventricular presente, simétrico, sem ruídos adventícios e sem sinais de desconforto. Verificam-se abdome plano, ruídos hidroaéreos presentes, flácido, sem visceromegalias, indolor; e também pulsos cheios, tempo de enchimento capilar < 3 seg. Ao exame neurológico, encontra-se em Glasgow 15, ativa, reativa ao exame, com pupilas isocóricas e fotorreagentes, sem sinais focais, sem sinais meníngeos e com pele íntegra. Realizou-se eletrocardiograma no qual se encontra ausência de onda P, QRS estreito e regular, e frequência cardíaca não variável = 230 bpm.Nesse caso clínico, o diagnóstico e a medicação indicada são.
TSV em criança (QRS estreito, regular, FC alta) → manobras vagais; se falha, Adenosina é a droga de escolha.
A taquicardia supraventricular (TSV) é a taquiarritmia mais comum em crianças, caracterizada por QRS estreito e regular com FC elevada. Em pacientes estáveis, manobras vagais são a primeira linha; se ineficazes, a adenosina é a medicação de escolha para reverter a arritmia, devido à sua ação rápida e curta duração.
A Taquicardia Supraventricular (TSV) é a arritmia mais comum na população pediátrica, caracterizada por uma frequência cardíaca rápida e regular que se origina acima dos ventrículos. Em crianças, a TSV pode ser desencadeada por diversas condições, mas frequentemente ocorre em corações estruturalmente normais. A apresentação clínica varia desde irritabilidade e má alimentação em lactentes até palpitações e dor torácica em crianças maiores. A identificação rápida é crucial, pois a taquicardia prolongada pode levar à disfunção ventricular e choque. O diagnóstico da TSV é primariamente eletrocardiográfico, caracterizado por um complexo QRS estreito (geralmente <0,08 segundos), ritmo regular e uma frequência cardíaca que excede os limites fisiológicos para a idade (ex: >220 bpm em lactentes, >180 bpm em crianças maiores), com ausência ou morfologia anormal da onda P. É fundamental diferenciar a TSV da taquicardia sinusal, que é reativa a estímulos e varia com o estado do paciente, enquanto a TSV é paroxística e não responsiva a mudanças fisiológicas. O tratamento inicial da TSV em crianças hemodinamicamente estáveis envolve manobras vagais, como a aplicação de gelo no rosto de lactentes ou a manobra de Valsalva em crianças maiores. Se as manobras vagais forem ineficazes, a adenosina é a medicação de escolha. Administrada em bolus intravenoso rápido, a adenosina bloqueia transitoriamente o nó AV, interrompendo o circuito reentrante da TSV. Em casos de instabilidade hemodinâmica, a cardioversão elétrica sincronizada é a conduta imediata. O acompanhamento a longo prazo pode envolver medicação antiarrítmica ou ablação por cateter.
A TSV em crianças é tipicamente caracterizada por um complexo QRS estreito (<0,08s), ritmo regular e frequência cardíaca muito elevada para a idade (geralmente >220 bpm em lactentes e >180 bpm em crianças maiores), com ausência ou morfologia anormal da onda P.
A dose inicial de adenosina é de 0,1 mg/kg (máximo 6 mg) em bolus IV rápido, seguida de flush de soro fisiológico. Se não houver reversão, pode-se dobrar a dose para 0,2 mg/kg (máximo 12 mg) uma ou duas vezes. Deve ser administrada em veia próxima ao coração.
As manobras vagais são a primeira linha de tratamento para TSV em crianças hemodinamicamente estáveis. Incluem aplicação de gelo no rosto (reflexo de mergulho em lactentes), manobra de Valsalva (em crianças maiores) ou massagem do seio carotídeo (com cautela e monitoramento).
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