TSV Pediátrica Instável: Manejo e Cardioversão Sincronizada

UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2021

Enunciado

Criança, 4 anos, 25 kg, sexo feminino, trazida pelos pais ao pronto-socorro devido à síncope em casa, foi levada à sala de emergência, examinada e monitorizada. Exame físico: REG, descorada +/4+, hidratada, cianose periférica, anictérica. Glasgow 10, pupilas isocóricas e fotorreagentes. Oroscopia e otoscopia normais. AP: murmúrio vesicular presentes em ambos os hemitórax, sem ruídos adventícios, SatO2: 98% com oxigênio suplementar. ACV: ruídos cardíacas em 2T sem sopros, PA= 60x30 mmHg. Abdome flácido, sem massas ou visceromegalias, RHA +. Pulsos +, finos, perfusão de 3-4 segundos. Realizadas manobra vagal sem melhora e adenosina, sem resposta. Monitorizada apresentava o seguinte ECG.Qual a próxima terapêutica?

Alternativas

  1. A) Adrenalina 0,01 mg/kg.
  2. B) Cardioversão 0,5-1 J/kg.
  3. C) Cardioversão 2-4 J/kg.
  4. D) Soro fisiológico 20 ml/kg.
  5. E) Amiodarona 5 mg/kg.

Pérola Clínica

TSV pediátrica instável (hipotensão, síncope) + falha adenosina → Cardioversão sincronizada 0,5-1 J/kg.

Resumo-Chave

Em crianças com taquicardia supraventricular (TSV) e sinais de instabilidade hemodinâmica (hipotensão, síncope, má perfusão), após falha das manobras vagais e adenosina, a cardioversão elétrica sincronizada é a próxima etapa crucial, iniciando com baixa energia (0,5-1 J/kg) para restaurar o ritmo sinusal e a estabilidade.

Contexto Educacional

A taquicardia supraventricular (TSV) é a arritmia mais comum em crianças, podendo levar a instabilidade hemodinâmica grave se não tratada prontamente. O reconhecimento rápido dos sinais de choque (hipotensão, má perfusão, alteração do nível de consciência) é crucial para guiar a conduta terapêutica. O manejo inicial envolve a estabilização do paciente, com oxigênio suplementar e acesso venoso. As manobras vagais são a primeira linha de tratamento para TSV em crianças estáveis. Se ineficazes, a adenosina é o fármaco de escolha, administrada em bolus rápido com doses crescentes (0,1 mg/kg, podendo dobrar para 0,2 mg/kg). No entanto, em pacientes com TSV e instabilidade hemodinâmica, a falha das manobras vagais e da adenosina exige uma intervenção mais agressiva. Nesses casos de TSV instável e refratária, a cardioversão elétrica sincronizada é a próxima terapêutica. A dose inicial recomendada é de 0,5 a 1 J/kg, com a possibilidade de aumentar para 2 J/kg se a primeira tentativa for ineficaz. É fundamental garantir a sincronização do choque com a onda R do ECG para evitar a indução de fibrilação ventricular. A rápida reversão da arritmia é vital para restaurar a perfusão e prevenir complicações graves, como o choque cardiogênico.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de instabilidade hemodinâmica em crianças com TSV?

Sinais de instabilidade hemodinâmica em crianças com TSV incluem hipotensão, alteração do nível de consciência (síncope, Glasgow reduzido), má perfusão periférica (pulsos finos, tempo de enchimento capilar prolongado), cianose e desconforto respiratório grave. A presença desses sinais indica a necessidade de intervenção imediata.

Qual a dose inicial de cardioversão para TSV instável em pediatria?

Para TSV instável em pediatria, a dose inicial recomendada para cardioversão elétrica sincronizada é de 0,5 a 1 J/kg. Se a primeira tentativa não for bem-sucedida, a dose pode ser aumentada para 2 J/kg na segunda tentativa.

Quando a adenosina é contraindicada ou falha na TSV pediátrica?

A adenosina é contraindicada em pacientes com doença do nó sinusal, bloqueio AV de segundo ou terceiro grau sem marca-passo, ou broncoespasmo grave. Ela falha quando não converte a TSV para ritmo sinusal após duas doses, indicando a necessidade de outras terapias, como a cardioversão elétrica em pacientes instáveis.

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