Taquicardia Supraventricular em Lactentes: Diagnóstico no ECG

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2020

Enunciado

Lactente de 11 meses apresenta palidez cutânea, sudorese e taquicardia há 3 horas. Exame físico: febril (39°C), pulsos amplos, perfusão periférica aumentada e tempo de enchimento capilar de um segundo, FC acima de 200 bpm. ECG: FC de 240 bpm, ondas P negativas em D1, D2 e aVF e positiva em aVR, precedendo os complexos QRS, sem sinais de sobrecarga ventricular e com alterações difusas da repolarização ventricular. O ritmo cardíaco é taquicardia

Alternativas

  1. A) sinusal.
  2. B) supraventricular.
  3. C) juncional.
  4. D) ventricular.

Pérola Clínica

Lactente com FC > 200 bpm + ondas P negativas em D1, D2, aVF e positivas em aVR → Taquicardia Supraventricular (TSV).

Resumo-Chave

Em lactentes, uma frequência cardíaca acima de 200-220 bpm é altamente sugestiva de taquicardia supraventricular (TSV), pois a taquicardia sinusal raramente atinge esses valores. A presença de ondas P com morfologia e eixo alterados (negativas em D1, D2, aVF e positivas em aVR) precedendo complexos QRS estreitos, em um ritmo muito rápido, confirma a origem supraventricular da taquicardia, indicando um foco ectópico atrial ou uma via de reentrada acima dos ventrículos.

Contexto Educacional

A taquicardia em lactentes é uma condição que exige atenção imediata, pois pode levar rapidamente à descompensação hemodinâmica devido à imaturidade do miocárdio e à dependência da frequência cardíaca para manter o débito cardíaco. A taquicardia supraventricular (TSV) é a arritmia mais comum em crianças, especialmente em lactentes, e pode ser desencadeada por febre, infecções, desidratação ou outras condições estressantes. O reconhecimento precoce e a diferenciação de outras taquicardias são cruciais para o manejo adequado. O eletrocardiograma (ECG) é a ferramenta diagnóstica essencial para caracterizar a taquicardia. Em lactentes, uma frequência cardíaca acima de 200-220 batimentos por minuto (bpm) é um forte indicativo de TSV, pois a taquicardia sinusal raramente atinge esses valores. A análise da onda P é fundamental: na TSV, as ondas P podem estar ausentes, ter morfologia e eixo anormais (como negativas em D1, D2 e aVF, e positivas em aVR, indicando um foco atrial baixo ou retrógrado), ou estarem escondidas dentro do complexo QRS ou da onda T. A presença de complexos QRS estreitos (<0,08s em lactentes) também aponta para uma origem supraventricular. O manejo da TSV em lactentes depende da estabilidade hemodinâmica. Em pacientes instáveis, a cardioversão elétrica sincronizada é a conduta de escolha. Em pacientes estáveis, manobras vagais podem ser tentadas, seguidas por adenosina intravenosa. O diagnóstico preciso pelo ECG é vital para guiar o tratamento e prevenir complicações como a cardiomiopatia induzida por taquicardia. A compreensão desses padrões eletrocardiográficos é um conhecimento fundamental para residentes e estudantes de pediatria e cardiologia.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para taquicardia supraventricular em lactentes?

Sinais de alerta incluem frequência cardíaca persistentemente muito alta (>200-220 bpm), palidez, sudorese, irritabilidade, dificuldade para mamar, e sinais de baixo débito cardíaco como pulsos débeis ou tempo de enchimento capilar prolongado. A febre pode mascarar ou agravar os sintomas, mas a FC desproporcionalmente alta é um forte indicativo.

Como diferenciar taquicardia sinusal de taquicardia supraventricular em lactentes pelo ECG?

Na taquicardia sinusal, as ondas P são geralmente positivas em D2, D3 e aVF, e negativas em aVR, com uma frequência que raramente excede 200-220 bpm em lactentes. Na TSV, a FC é frequentemente >220 bpm, e as ondas P podem estar ausentes, ter morfologia e eixo anormais (como negativas em D1, D2, aVF e positivas em aVR), ou estarem escondidas no complexo QRS ou onda T.

Quais são as principais causas de taquicardia supraventricular em crianças?

As causas mais comuns de TSV em crianças são as taquicardias por reentrada, como a taquicardia por reentrada atrioventricular (TRV) envolvendo vias acessórias (ex: Síndrome de Wolff-Parkinson-White) e a taquicardia por reentrada nodal atrioventricular (TRNAV). Outras causas incluem taquicardia atrial ectópica e taquicardia juncional ectópica.

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