Taquicardia Supraventricular Pediátrica: Manobra Vagal

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 10 anos vem ao pronto-socorro com queixa de mal-estar súbito. Ao exame físico, paciente corado, sem desconforto respiratório, pressão arterial no percentil 50 para a idade, com taquicardia importante. Realizada monitorização cardíaca, com frequência de 223 bpm e identificado o traçado abaixo: A conduta inicial para o caso deve ser:

Alternativas

  1. A) Sulfato de magnésio
  2. B) Manobra vagal
  3. C) Atropina
  4. D) Epinefrina

Pérola Clínica

Taquicardia supraventricular em criança estável → Manobra vagal é a conduta inicial de escolha.

Resumo-Chave

Em crianças com taquicardia supraventricular (TSVP) e estabilidade hemodinâmica, a conduta inicial é tentar manobras vagais. Estas manobras aumentam o tônus vagal, o que pode interromper o circuito de reentrada da TSVP, restaurando o ritmo sinusal sem a necessidade de medicação.

Contexto Educacional

A taquicardia supraventricular paroxística (TSVP) é a arritmia mais comum em crianças, caracterizada por uma frequência cardíaca elevada e ritmo regular, geralmente com complexos QRS estreitos. Embora possa ser assustadora para os pais e o paciente, a maioria dos casos em crianças é hemodinamicamente estável e responde bem a intervenções simples. O reconhecimento precoce e a conduta adequada são cruciais para evitar a progressão para instabilidade. Em um paciente pediátrico com TSVP e estabilidade hemodinâmica, a primeira linha de tratamento são as manobras vagais. Essas manobras aumentam o tônus do nervo vago, o que retarda a condução através do nó atrioventricular e pode interromper o circuito de reentrada que mantém a TSVP. Exemplos incluem a manobra de Valsalva modificada (soprar em uma seringa), imersão facial em água gelada (reflexo de mergulho) ou, em lactentes, a aplicação de gelo no rosto. É importante instruir o paciente ou os pais sobre a técnica correta. Se as manobras vagais falharem, a próxima etapa é a administração de adenosina intravenosa, um fármaco de ação ultrarrápida que bloqueia o nó AV. Em casos de instabilidade hemodinâmica (hipotensão, choque, alteração do nível de consciência), a cardioversão elétrica sincronizada é a intervenção de escolha. Residentes devem estar aptos a diferenciar a estabilidade hemodinâmica e aplicar o algoritmo de tratamento correto para TSVP pediátrica, garantindo a segurança e o bem-estar do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de instabilidade hemodinâmica em uma criança com taquicardia?

Sinais de instabilidade incluem hipotensão, alteração do nível de consciência, pulsos débeis, tempo de enchimento capilar prolongado (>2 segundos), má perfusão periférica, desconforto respiratório grave ou sinais de choque. Nesses casos, a cardioversão elétrica sincronizada é a conduta de escolha.

Quais manobras vagais podem ser realizadas em crianças?

Em crianças maiores, pode-se pedir para soprar em uma seringa vazia (manobra de Valsalva modificada), mergulhar o rosto em água gelada (reflexo de mergulho) ou realizar compressão ocular suave (com cautela). Em lactentes, pode-se aplicar gelo no rosto por alguns segundos.

Quando a adenosina é indicada para taquicardia supraventricular em crianças?

A adenosina é indicada se as manobras vagais falharem e o paciente permanecer hemodinamicamente estável. É um medicamento de ação ultrarrápida que bloqueia a condução no nó atrioventricular, sendo eficaz na interrupção da maioria das TSVP por reentrada.

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