HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2020
Paciente de 10 anos vem ao pronto-socorro com queixa de mal-estar súbito. Ao exame físico, paciente corado, sem desconforto respiratório, pressão arterial no percentil 50 para a idade, com taquicardia importante. Realizada monitorização cardíaca, com frequência de 223 bpm e identificado o traçado abaixo: A conduta inicial para o caso deve ser:
Taquicardia supraventricular em criança estável → Manobra vagal é a conduta inicial de escolha.
Em crianças com taquicardia supraventricular (TSVP) e estabilidade hemodinâmica, a conduta inicial é tentar manobras vagais. Estas manobras aumentam o tônus vagal, o que pode interromper o circuito de reentrada da TSVP, restaurando o ritmo sinusal sem a necessidade de medicação.
A taquicardia supraventricular paroxística (TSVP) é a arritmia mais comum em crianças, caracterizada por uma frequência cardíaca elevada e ritmo regular, geralmente com complexos QRS estreitos. Embora possa ser assustadora para os pais e o paciente, a maioria dos casos em crianças é hemodinamicamente estável e responde bem a intervenções simples. O reconhecimento precoce e a conduta adequada são cruciais para evitar a progressão para instabilidade. Em um paciente pediátrico com TSVP e estabilidade hemodinâmica, a primeira linha de tratamento são as manobras vagais. Essas manobras aumentam o tônus do nervo vago, o que retarda a condução através do nó atrioventricular e pode interromper o circuito de reentrada que mantém a TSVP. Exemplos incluem a manobra de Valsalva modificada (soprar em uma seringa), imersão facial em água gelada (reflexo de mergulho) ou, em lactentes, a aplicação de gelo no rosto. É importante instruir o paciente ou os pais sobre a técnica correta. Se as manobras vagais falharem, a próxima etapa é a administração de adenosina intravenosa, um fármaco de ação ultrarrápida que bloqueia o nó AV. Em casos de instabilidade hemodinâmica (hipotensão, choque, alteração do nível de consciência), a cardioversão elétrica sincronizada é a intervenção de escolha. Residentes devem estar aptos a diferenciar a estabilidade hemodinâmica e aplicar o algoritmo de tratamento correto para TSVP pediátrica, garantindo a segurança e o bem-estar do paciente.
Sinais de instabilidade incluem hipotensão, alteração do nível de consciência, pulsos débeis, tempo de enchimento capilar prolongado (>2 segundos), má perfusão periférica, desconforto respiratório grave ou sinais de choque. Nesses casos, a cardioversão elétrica sincronizada é a conduta de escolha.
Em crianças maiores, pode-se pedir para soprar em uma seringa vazia (manobra de Valsalva modificada), mergulhar o rosto em água gelada (reflexo de mergulho) ou realizar compressão ocular suave (com cautela). Em lactentes, pode-se aplicar gelo no rosto por alguns segundos.
A adenosina é indicada se as manobras vagais falharem e o paciente permanecer hemodinamicamente estável. É um medicamento de ação ultrarrápida que bloqueia a condução no nó atrioventricular, sendo eficaz na interrupção da maioria das TSVP por reentrada.
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