UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2023
Paciente de 29 anos, gênero feminino, relata início de palpitação súbita, que persiste até o momento de seu atendimento. Nega ser portadora de doenças de base. Nega uso de medicamentos. Ao exame físico, FC 160 bpm; PA 120/75 mmHG. Seu eletrocardiograma da admissão está representado abaixo.Qual das condutas abaixo é indicada?
TSVP em paciente estável (PA normal) → Manobras vagais, se falha, Adenosina IV.
A paciente apresenta taquicardia supraventricular paroxística (TSVP) com estabilidade hemodinâmica (PA 120/75 mmHg). A conduta inicial para TSVP estável são as manobras vagais. Se estas falharem, a adenosina endovenosa é o fármaco de primeira linha, devido à sua rápida ação e curta meia-vida, que bloqueia o nó AV e interrompe o circuito de reentrada.
A Taquicardia Supraventricular Paroxística (TSVP) é uma arritmia comum caracterizada por um ritmo cardíaco rápido e regular, com QRS estreito, geralmente resultante de um circuito de reentrada envolvendo o nó atrioventricular (AV) ou vias acessórias. Os pacientes frequentemente relatam palpitações de início e término súbitos. É crucial diferenciar a TSVP de outras taquiarritmias de QRS estreito, como a fibrilação atrial com resposta ventricular rápida, através do eletrocardiograma. O manejo da TSVP depende da estabilidade hemodinâmica do paciente. Em pacientes hemodinamicamente estáveis, a conduta inicial consiste em manobras vagais, como a manobra de Valsalva modificada ou a massagem do seio carotídeo. Essas manobras aumentam o tônus vagal e podem interromper o circuito de reentrada. Se as manobras vagais falharem, o tratamento farmacológico de primeira linha é a adenosina intravenosa. A adenosina é um fármaco de ação ultrarrápida e curta duração que bloqueia a condução no nó AV, sendo altamente eficaz na reversão da TSVP. A dose inicial é de 6 mg IV em bolus rápido, seguida de flush de soro fisiológico; se não houver reversão, pode-se administrar 12 mg IV. Para pacientes instáveis hemodinamicamente, a cardioversão elétrica sincronizada é a conduta de escolha. Outras opções farmacológicas para TSVP refratária ou para manutenção incluem betabloqueadores e bloqueadores dos canais de cálcio não diidropiridínicos (verapamil, diltiazem).
As manobras vagais incluem a manobra de Valsalva modificada (expiração forçada contra glote fechada por 15 segundos, seguida de elevação das pernas), massagem do seio carotídeo (com cautela e ausculta prévia para sopros) e imersão facial em água gelada. Elas aumentam o tônus vagal e podem interromper o circuito de reentrada.
A adenosina age bloqueando temporariamente a condução no nó atrioventricular (AV), interrompendo o circuito de reentrada que geralmente causa a TSVP. Possui início de ação muito rápido e meia-vida extremamente curta, o que a torna ideal para o diagnóstico e tratamento agudo.
A cardioversão elétrica sincronizada é indicada para pacientes com TSVP que apresentam instabilidade hemodinâmica, como hipotensão, choque, sinais de isquemia miocárdica aguda, insuficiência cardíaca aguda ou alteração do nível de consciência, ou para aqueles refratários às manobras vagais e à adenosina.
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