Taquicardia Supraventricular: Manejo e Adenosina IV

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Uma paciente de 38 anos, internada para tratamento cirúrgico de litíase biliar sintomática, relata início súbito de palpitações e dispneia leve. Ao exame físico, encontra- se taquicárdica (170bpm) e sem congestão pulmonar. O ritmo cardíaco é regular, em dois tempos e sem sopros. O eletrocardiograma revela taquicardia regular de complexos QRS estreitos, sem onda P visível, com a frequência de disparos anteriormente assinalada. A conduta indicada, nesse momento, é realizar:

Alternativas

  1. A) aplicação de cardioversão elétrica sincrônica de 100J
  2. B) administração intravenosa de 5mg/kg de amiodarona
  3. C) administração intravenosa de 6mg de adenosina
  4. D) passagem de marcapasso cardíaco transvenoso

Pérola Clínica

TSV com QRS estreito e estável → Manobras vagais, se falha, Adenosina IV 6mg.

Resumo-Chave

A taquicardia supraventricular (TSV) é uma arritmia comum caracterizada por QRS estreito e regular. Em pacientes hemodinamicamente estáveis, a primeira linha de tratamento são as manobras vagais. Se ineficazes, a adenosina intravenosa é o fármaco de escolha para reverter o ritmo, agindo no nó AV.

Contexto Educacional

A taquicardia supraventricular (TSV) é uma arritmia comum, especialmente em pacientes jovens e sem cardiopatia estrutural, mas pode ocorrer em qualquer idade. É crucial reconhecer seus sinais no eletrocardiograma, como a taquicardia regular de QRS estreito, para um manejo adequado. A compreensão da fisiopatologia, frequentemente envolvendo reentrada no nó AV, é fundamental para entender a eficácia de tratamentos como a adenosina. O diagnóstico diferencial da TSV inclui outras taquicardias de QRS estreito, como fibrilação atrial com resposta ventricular rápida e flutter atrial. A estabilidade hemodinâmica do paciente é o fator determinante para a escolha da conduta inicial. Pacientes estáveis podem se beneficiar de manobras vagais e, posteriormente, de fármacos como a adenosina, enquanto pacientes instáveis exigem cardioversão elétrica imediata. O tratamento da TSV visa restaurar o ritmo sinusal. A adenosina, um potente bloqueador do nó AV de curta duração, é a droga de primeira escolha para TSV por reentrada nodal ou via acessória oculta. É importante estar preparado para os efeitos colaterais transitórios da adenosina, como rubor, dispneia e dor torácica, e para a possibilidade de recorrência da arritmia.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios eletrocardiográficos para taquicardia supraventricular?

A taquicardia supraventricular (TSV) é caracterizada por um ritmo regular, frequência cardíaca elevada (geralmente >100 bpm) e complexos QRS estreitos (<0,12 segundos). A onda P pode estar ausente, invertida ou oculta no complexo QRS ou onda T.

Qual a dose inicial de adenosina para reverter uma TSV em adultos?

A dose inicial recomendada de adenosina intravenosa para adultos é de 6 mg, administrada em bolus rápido, seguida de flush de soro fisiológico. Se não houver reversão em 1-2 minutos, pode-se administrar uma segunda dose de 12 mg.

Quando a cardioversão elétrica é indicada para taquicardia supraventricular?

A cardioversão elétrica sincronizada é indicada para taquicardia supraventricular quando o paciente apresenta instabilidade hemodinâmica (hipotensão, choque, alteração do nível de consciência, isquemia miocárdica aguda ou insuficiência cardíaca aguda).

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