Fundhacre - Fundação Hospital Estadual do Acre — Prova 2021
Paciente masculino, 65 anos, apresenta diagnóstico de hipertensão arterial há 8 anos, fazendo uso regular de enalapril e anlodipino. Há uma semana passou a apresentar queixa de palpitações e fadiga fácil, tendo sido solicitado um eletrocardiograma, que mostrou taquicardia supraventricular, FC= 135 bpm, sem sinais de isquêmica miocárdica. O exame físico do paciente é normal, exceto pela taquicardia, PA - 126X80 mmHg. Assinale dentre as alternativas abaixo, a melhor conduta neste caso:
Taquicardia supraventricular + hipertensão → diltiazem (bloqueador de canal de cálcio não diidropiridínico) para controle de FC e PA.
O paciente apresenta taquicardia supraventricular e hipertensão. Diltiazem é um bloqueador de canal de cálcio não diidropiridínico que, além de controlar a pressão arterial, também reduz a frequência cardíaca, sendo uma opção mais adequada que anlodipino (diidropiridínico) para essa condição.
A taquicardia supraventricular (TSV) é uma arritmia comum que se origina acima dos ventrículos e pode causar sintomas como palpitações, fadiga e dispneia. Em pacientes hipertensos, o manejo deve considerar tanto o controle da pressão arterial quanto da frequência cardíaca. A escolha do anti-hipertensivo deve ser individualizada, buscando otimizar o tratamento de ambas as condições. Bloqueadores de canal de cálcio são uma classe de medicamentos amplamente utilizada na cardiologia. Os diidropiridínicos, como o anlodipino, são potentes vasodilatadores e são eficazes no controle da hipertensão, mas têm pouco ou nenhum efeito direto na frequência cardíaca. Já os não diidropiridínicos, como o diltiazem e o verapamil, atuam no nó atrioventricular, lentificando a condução e, consequentemente, reduzindo a frequência cardíaca, além de promoverem vasodilatação. Neste caso, a substituição do anlodipino pelo diltiazem é a melhor conduta, pois o diltiazem irá controlar a pressão arterial e, simultaneamente, ajudar a reduzir a frequência cardíaca da taquicardia supraventricular, aliviando os sintomas do paciente. É crucial para residentes compreenderem as nuances farmacológicas para otimizar o tratamento de pacientes com comorbidades cardiovasculares.
Diidropiridínicos (ex: anlodipino) atuam predominantemente na vasodilatação periférica, enquanto os não diidropiridínicos (ex: diltiazem, verapamil) atuam também no miocárdio e no nó AV, reduzindo a frequência cardíaca e a contratilidade.
Diltiazem é preferível quando há necessidade de controle da frequência cardíaca, como em taquiarritmias supraventriculares (fibrilação atrial, flutter atrial) ou angina, além do controle da pressão arterial.
Os efeitos adversos incluem bradicardia, bloqueio atrioventricular, hipotensão, tontura e cefaleia. Deve ser usado com cautela em pacientes com disfunção ventricular esquerda.
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