Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2015
Paciente de 10 anos dá entrada no serviço de emergência, trazido pelo SAMU. Refere que o menor apresentou perda súbita da consciência na sala de aula. Os antecedentes médicos do paciente não são conhecidos e os familiares ainda não foram acionados. Na entrada apresentava-se em mau estado geral, com abertura ocular a pedido verbal, com fala confusa e retirando membro em resposta à dor. Paciente recebeu os primeiros cuidados em sala de emergência, na qual foi monitorizado, mantendo via aérea patente e com acesso venoso. No ECG de 12 derivações apresentou taquicardia com QRS largo (> 0,09s); evoluindo durante exame com piora do nível de consciência, queda da pressão arterial e má perfusão periférica. A conduta CORRETA a ser tomada diante do quadro é:
Taquicardia QRS largo + instabilidade hemodinâmica → Cardioversão elétrica sincronizada imediata.
Em pacientes pediátricos com taquicardia de QRS largo e sinais de instabilidade hemodinâmica (hipotensão, alteração do nível de consciência, má perfusão), a cardioversão elétrica sincronizada é a conduta de escolha para restaurar o ritmo sinusal e estabilizar o paciente. Atrasos podem levar a piora do quadro e parada cardíaca.
A taquicardia de QRS largo em pediatria é uma arritmia potencialmente grave, que pode ser causada por taquicardia ventricular ou taquicardia supraventricular com condução aberrante. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para evitar desfechos adversos, especialmente quando há instabilidade hemodinâmica. É uma condição menos comum em crianças do que em adultos, mas exige atenção imediata devido à menor reserva cardíaca pediátrica. A avaliação inicial deve focar na presença de sinais de instabilidade hemodinâmica, como hipotensão, alteração do nível de consciência, má perfusão e sinais de choque. O eletrocardiograma de 12 derivações é fundamental para caracterizar a arritmia. A fisiopatologia da instabilidade está relacionada à diminuição do débito cardíaco devido ao enchimento ventricular inadequado ou à disfunção miocárdica. Em casos de taquicardia de QRS largo com instabilidade hemodinâmica, a conduta de escolha é a cardioversão elétrica sincronizada imediata. Após a cardioversão, é essencial investigar e tratar as causas subjacentes da arritmia e da instabilidade, como distúrbios eletrolíticos, hipóxia ou miocardite. O prognóstico depende da causa da arritmia e da rapidez e eficácia do tratamento inicial.
Os sinais incluem hipotensão, alteração do nível de consciência (letargia, confusão), má perfusão periférica (tempo de enchimento capilar prolongado, extremidades frias), pulsos débeis e sinais de choque.
A dose inicial recomendada para cardioversão elétrica sincronizada em crianças é de 0,5 a 1 J/kg. Se não houver sucesso, a dose pode ser aumentada para 2 J/kg nas tentativas subsequentes.
A taquicardia de QRS largo é definida por um QRS com duração maior que 0,09 segundos (ou > 0,08s em lactentes). É crucial diferenciar de taquicardia supraventricular com aberrância, mas na instabilidade, o tratamento é o mesmo.
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