Taquicardia de QRS Largo Estável: Manejo ACLS

HSA Guarujá - Hospital Santo Amaro de Guarujá (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente masculino, 69 anos, proveniente do nordeste, com antecedente de miocardiopatia dilatada por doença de chagas, deu entrada na sala de emergência com queixa de palpitação há aproximadamente 1 dia, nega sintomas semelhantes anteriormente e refere ser Hipertenso e Dislipidêmico em tratamento irregular. É realizado o exame físico e solicitado um ECG, evidenciado: Exame Físico: BEG, eupneico, acianótico, afebril, consciente, orientado; MR+, S/RA, FR: 18irpm, SatO2: 96% em AA; B Arrítmicas NF 2T, S/SA, FC: 145bpm, PA: 150x90mmhg; Qual a medida inicial mais indicada para o paciente, segundo as diretrizes preconizadas do ACLS pela American Heart Association:

Alternativas

  1. A) Desfibrilação Ventricular
  2. B) Adenosina 12mg EV bolus
  3. C) Amiodarona 300mg EV bolus
  4. D) Cardioversão Elétrica Sincronizada
  5. E) Amiodarona 150mg EV em 10 min

Pérola Clínica

Taquicardia QRS largo estável (FC 145bpm, PA 150x90) em chagásico → Amiodarona 150mg EV em 10 min (ACLS).

Resumo-Chave

Em pacientes com taquicardia de QRS largo e estáveis hemodinamicamente, especialmente com histórico de miocardiopatia chagásica que predispõe a arritmias ventriculares, a amiodarona é a droga de escolha conforme o ACLS. A dose inicial é de 150mg EV infundida em 10 minutos.

Contexto Educacional

O manejo de taquiarritmias é um pilar fundamental no atendimento de emergência, e a distinção entre taquicardias de QRS estreito e largo, bem como a avaliação da estabilidade hemodinâmica, são cruciais. Pacientes com miocardiopatia dilatada por Doença de Chagas têm um risco elevado de desenvolver taquiarritmias ventriculares, que frequentemente se apresentam com QRS largo. A abordagem inicial, conforme as diretrizes do ACLS (Advanced Cardiovascular Life Support), depende diretamente da presença ou ausência de instabilidade hemodinâmica. No caso de taquicardia de QRS largo estável, ou seja, sem sinais de choque, hipotensão, isquemia aguda ou alteração de consciência, o tratamento farmacológico é a primeira linha. A amiodarona é o antiarrítmico de escolha para essa situação, administrada em dose de 150mg por via intravenosa em 10 minutos. Outras opções incluem procainamida ou sotalol, dependendo da etiologia e características do paciente, mas a amiodarona é amplamente utilizada devido ao seu perfil de segurança e eficácia. É vital que o residente saiba diferenciar as indicações de cada intervenção. A adenosina é reservada para taquicardias supraventriculares de QRS estreito e regular. A cardioversão elétrica sincronizada é a terapia de escolha para qualquer taquiarritmia que cause instabilidade hemodinâmica. Já a desfibrilação é utilizada para fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso. A correta aplicação desses algoritmos é essencial para otimizar o prognóstico do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para considerar uma taquicardia de QRS largo como estável?

Uma taquicardia de QRS largo é considerada estável quando o paciente não apresenta sinais de instabilidade hemodinâmica, como hipotensão, choque, alteração aguda do estado mental, dor torácica isquêmica aguda ou insuficiência cardíaca aguda. A pressão arterial e o nível de consciência são bons indicadores.

Por que a Amiodarona é a droga de escolha para taquicardia de QRS largo estável?

A Amiodarona é um antiarrítmico de classe III que age prolongando o potencial de ação e o período refratário. É eficaz em suprimir arritmias ventriculares e supraventriculares, sendo a droga preferencial para taquicardia de QRS largo estável, especialmente quando a origem ventricular é suspeita ou confirmada, como em pacientes com miocardiopatia chagásica.

Quando a cardioversão elétrica sincronizada seria a medida inicial mais indicada neste cenário?

A cardioversão elétrica sincronizada seria a medida inicial mais indicada se o paciente apresentasse qualquer sinal de instabilidade hemodinâmica, como hipotensão grave, choque, isquemia miocárdica ativa, insuficiência cardíaca aguda ou alteração aguda do nível de consciência, independentemente da morfologia do QRS.

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