UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2020
Mulher, 19 anos, admitida com episódio de taquicardia regular de início súbito, de duração de cerca de 30 minutos, sem outros sintomas associados. Ao exame físico: PA 120x70 mmHg; FC 140 bpm; AC: bulhas cardíacas regulares em 2 T sem sopros; AR: MV + sem RA. ECG revela taquicardia de QRS estreito. Qual das opções terapêuticas abaixo NÃO está indicada?
Taquicardia QRS estreito estável → Manobras vagais, Adenosina. Cardioversão sincronizada é para instabilidade hemodinâmica.
Em pacientes com taquicardia de QRS estreito (provavelmente uma Taquicardia Supraventricular - TSV) e hemodinamicamente estáveis, a primeira linha de tratamento inclui manobras vagais e, se ineficazes, adenosina intravenosa. A cardioversão sincronizada é reservada para pacientes instáveis ou refratários a outras terapias.
A taquicardia de QRS estreito, com duração do complexo QRS < 0,12 segundos, geralmente indica uma origem supraventricular, ou seja, acima do feixe de His. As causas mais comuns incluem taquicardia sinusal, taquicardia atrial, flutter atrial e, principalmente, taquicardia supraventricular por reentrada nodal (TSNRT) ou por via acessória (TSV por reentrada atrioventricular). O manejo inicial depende da estabilidade hemodinâmica do paciente. Em pacientes hemodinamicamente estáveis, como no caso descrito (PA 120x70 mmHg), a abordagem terapêutica segue uma escada. A primeira linha são as manobras vagais, que aumentam o tônus vagal e podem interromper o circuito de reentrada. Se ineficazes, a adenosina intravenosa é o fármaco de escolha, pois bloqueia transitoriamente o nó atrioventricular, sendo altamente eficaz na interrupção da maioria das TSVs. Beta-bloqueadores (como metoprolol) e bloqueadores dos canais de cálcio não diidropiridínicos (como verapamil ou diltiazem) também são opções para controle da frequência ou conversão, especialmente se a adenosina for contraindicada ou ineficaz. A cardioversão sincronizada é uma intervenção de emergência reservada para pacientes com taquicardia de QRS estreito que apresentam sinais de instabilidade hemodinâmica (hipotensão, choque, alteração do nível de consciência, dor torácica isquêmica, insuficiência cardíaca aguda). No cenário de um paciente estável, a cardioversão não é a conduta inicial indicada, pois há opções menos invasivas e igualmente eficazes, e a cardioversão envolve riscos e a necessidade de sedação.
As manobras vagais incluem a manobra de Valsalva modificada (soprar em uma seringa de 10 mL por 15 segundos em posição supina com elevação passiva das pernas), massagem do seio carotídeo (unilateral) e imersão facial em água gelada.
A adenosina é o fármaco de escolha para a maioria das taquicardias supraventriculares de QRS estreito, especialmente as reentrantes, quando as manobras vagais falham. Ela bloqueia o nó AV, interrompendo o circuito de reentrada.
Os critérios incluem hipotensão, alteração aguda do estado mental, sinais de choque, dor torácica isquêmica aguda e insuficiência cardíaca aguda. Nesses casos, a cardioversão sincronizada é a terapia de primeira linha.
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