Taquicardia Juncional Pós-Cirurgia Cardíaca Pediátrica: Manejo

Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2024

Enunciado

Criança de 5 meses, submetida à cirurgia para correção de defeito do septo interventricular. Apresenta no pós-operatório imediato taquicardia juncional, queda da pressão arterial média e aumento da pressão pulmonar acima de 50% da sistêmica, com sangramento aumentado em torno de 5ml/Kg/hora. Está em uso de adrenalina e milrinone. Recebeu sildenafil no transoperatório. Durante a cirurgia você administrou fibrinogênio e ácido tranexânico. Os exames mostram alteração na via intrínseca da coagulação. Em relação ao manejo inicial da taquicardia juncional com repercussão, assinale a alternativa incorreta.

Alternativas

  1. A) Realizar resfriamento, objetivando uma temperatura em torno de 35 e 36 graus celsius.
  2. B) Diminuir a adrenalina conforme a tolerância.
  3. C) Otimizar sedação e analgesia.
  4. D) Iniciar dopamina a 8mcg/Kg/min.

Pérola Clínica

Taquicardia juncional pós-op cardíaca c/ repercussão → resfriamento, otimizar sedação, ↓ vasopressores.

Resumo-Chave

A taquicardia juncional é uma arritmia comum no pós-operatório de cirurgia cardíaca pediátrica, especialmente após correção de CIV. O manejo inicial visa reduzir a frequência cardíaca e melhorar o débito cardíaco, sendo o resfriamento e a otimização da sedação medidas eficazes. A redução de vasopressores como a adrenalina, se possível, também é importante, pois podem agravar a taquicardia.

Contexto Educacional

A taquicardia juncional (TJ) é uma arritmia comum no pós-operatório de cirurgias cardíacas congênitas em crianças, especialmente após manipulação do septo interventricular. Sua incidência varia, mas pode levar a grave comprometimento hemodinâmico, sendo crucial para residentes reconhecer e manejar prontamente. A fisiopatologia envolve o aumento do automatismo do nó atrioventricular ou feixes juncionais, muitas vezes exacerbado por inflamação, isquemia, uso de catecolaminas e desequilíbrio eletrolítico. O diagnóstico é eletrocardiográfico, com FC elevada e dissociação atrioventricular. A suspeita deve surgir em pacientes com taquicardia e sinais de baixo débito. O tratamento inicial foca na redução da frequência cardíaca e otimização do débito. Medidas incluem resfriamento (35-36°C), otimização da sedação e analgesia, correção de distúrbios eletrolíticos e, se necessário, uso de antiarrítmicos como amiodarona ou procainamida. A redução de vasopressores cronotrópicos positivos, como a adrenalina, deve ser considerada se a pressão arterial permitir.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de taquicardia juncional com repercussão em crianças?

Os sinais incluem taquicardia persistente, queda da pressão arterial média, sinais de baixo débito cardíaco (ex: tempo de enchimento capilar prolongado, pulsos débeis) e aumento da pressão pulmonar.

Qual a conduta inicial para taquicardia juncional pós-operatória em pediatria?

A conduta inicial envolve resfriamento (35-36°C), otimização da sedação e analgesia, correção de distúrbios eletrolíticos e, se possível, redução de vasopressores cronotrópicos positivos como a adrenalina. Antiarrítmicos podem ser considerados se as medidas iniciais falharem.

Por que o resfriamento é indicado no manejo da taquicardia juncional?

O resfriamento (hipotermia terapêutica leve) ajuda a diminuir a frequência cardíaca e o consumo de oxigênio miocárdico, além de reduzir a atividade ectópica juncional, melhorando a tolerância hemodinâmica à arritmia.

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