Taquiarritmia Instável: Cardioversão Elétrica de Urgência

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2015

Enunciado

Paciente feminina, 72 anos, hipertensa, há cerca de 6h com palpitações intensas, dá entrada na emergência, sonolenta e pouco responsiva, após síncope. No exame físico, chamava atenção uma PA de 80 x 40 mmHg e um pulso rápido, irregular, sem pausas ou falhas, com frequência de 150 bpm, confirmado pela ausculta cardíaca com as mesmas características e sem outras alterações. Considerando o diagnóstico mais provável, a conduta mais adequada, após o ECG de 12 derivações, seria:

Alternativas

  1. A) Heparina subcutânea.
  2. B) Digitálico endovenoso.
  3. C) Antiarrítmico endovenoso.
  4. D) Cardioversão transtorácica.

Pérola Clínica

Taquiarritmia com instabilidade hemodinâmica (hipotensão, síncope, sonolência) → Cardioversão elétrica sincronizada imediata.

Resumo-Chave

A paciente apresenta uma taquiarritmia (FC 150 bpm, pulso rápido e irregular) associada a sinais de instabilidade hemodinâmica grave (hipotensão, sonolência, síncope). Nesses casos, a cardioversão elétrica sincronizada é a conduta de escolha e deve ser realizada imediatamente após o ECG de 12 derivações.

Contexto Educacional

As taquiarritmias são ritmos cardíacos rápidos que podem comprometer o débito cardíaco e levar à instabilidade hemodinâmica, especialmente em pacientes idosos ou com comorbidades cardíacas. A fibrilação atrial com resposta ventricular rápida é uma causa comum de taquiarritmia irregular. O reconhecimento rápido dos sinais de instabilidade é crucial para um manejo adequado e para evitar complicações graves. A fisiopatologia da instabilidade em taquiarritmias reside na redução do tempo de enchimento ventricular, o que diminui o volume sistólico e, consequentemente, o débito cardíaco. Quando o débito cardíaco é insuficiente para as demandas metabólicas, surgem sinais de hipoperfusão, como hipotensão, alteração do estado mental e síncope. A conduta em emergências cardiológicas segue o protocolo ACLS (Advanced Cardiovascular Life Support). Em taquiarritmias com instabilidade hemodinâmica, a cardioversão elétrica sincronizada é a terapia de primeira linha e deve ser realizada sem demora, após a obtenção de um ECG de 12 derivações para confirmar o ritmo. A tentativa de estabilização farmacológica nesses casos pode atrasar o tratamento definitivo e piorar o prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de instabilidade hemodinâmica que indicam cardioversão elétrica imediata em taquiarritmias?

Os critérios incluem hipotensão (PA < 90/60 mmHg), alteração aguda do estado mental (sonolência, confusão), sinais de choque (pele fria e úmida, enchimento capilar lento), dor torácica isquêmica e insuficiência cardíaca aguda.

Por que a cardioversão elétrica é preferível a medicamentos em taquiarritmias instáveis?

Em situações de instabilidade hemodinâmica, a cardioversão elétrica age mais rapidamente para restaurar o ritmo sinusal e reverter a hipoperfusão, enquanto os medicamentos podem ter um início de ação mais lento e agravar a instabilidade.

Qual a diferença entre cardioversão sincronizada e desfibrilação?

A cardioversão sincronizada aplica um choque elétrico sincronizado com a onda R do ECG, usada em taquiarritmias com QRS presente. A desfibrilação é um choque não sincronizado, usado em FV ou TV sem pulso, onde não há QRS organizado.

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