Taquiarritmia Instável: Conduta e Cardioversão Elétrica

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2023

Enunciado

Homem, 67 anos, tabagista, hipertenso e dislipidêmico, procurou pronto-atendimento por mal-estar, palpitações e dispneia. Refere episódios prévios autolimitados, com duração de 5 minutos. Paciente acordado, porém letárgico. PA 90x50 mmhg, SpO₂ 95%. Realizou o seguinte ECG, na triagem:Conferir figura correspondente com melhor resolução no anexo (FIGURA)Assinale a conduta adequada no momento.

Alternativas

  1. A) Manobra vagal e diltiazem endovenoso; evitar betabloqueadores pelo risco de DPOC.
  2. B) Desfibrilação elétrica sem necessidade de anticoagulação devido risco iminente de morte.
  3. C) Cardioversão elétrica imediata e anticoagulação para prevenção de fenômenos tromboembólicos
  4. D) Solução cristaloide endovenosa para estabilização hemodinâmica e investigação de hipertireoidismo.

Pérola Clínica

Taquiarritmia com instabilidade hemodinâmica (hipotensão, letargia) → Cardioversão elétrica sincronizada imediata.

Resumo-Chave

Pacientes com taquiarritmia e sinais de instabilidade hemodinâmica (hipotensão, alteração do nível de consciência, choque, isquemia miocárdica aguda, insuficiência cardíaca aguda) necessitam de cardioversão elétrica sincronizada imediata. A anticoagulação é crucial para prevenir eventos tromboembólicos, especialmente se a arritmia for atrial e de duração incerta.

Contexto Educacional

As taquiarritmias são ritmos cardíacos rápidos que podem comprometer a função hemodinâmica, especialmente em pacientes com comorbidades cardiovasculares. A avaliação inicial de um paciente com taquiarritmia deve focar na presença de instabilidade hemodinâmica, que é definida por hipotensão, alteração do nível de consciência, sinais de choque, dor torácica isquêmica aguda ou insuficiência cardíaca aguda. No caso de taquiarritmia com instabilidade hemodinâmica, a conduta é a cardioversão elétrica sincronizada imediata. Este procedimento visa restaurar o ritmo sinusal de forma rápida, revertendo a instabilidade. A energia inicial e a morfologia da onda (bifásica ou monofásica) dependem do tipo de arritmia (ex: FA, TV monomórfica, TV polimórfica). Além da cardioversão, a anticoagulação é um componente crítico do manejo, especialmente se a taquiarritmia for atrial (como fibrilação atrial) e sua duração for desconhecida ou superior a 48 horas. Embora a cardioversão seja urgente em pacientes instáveis, a prevenção de eventos tromboembólicos é fundamental e a anticoagulação deve ser iniciada ou otimizada o mais breve possível, e mantida conforme as diretrizes.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de instabilidade hemodinâmica em taquiarritmias?

Os critérios incluem hipotensão (PA sistólica <90 mmHg), alteração aguda do nível de consciência, sinais de choque (pele fria e úmida, oligúria), dor torácica isquêmica aguda e insuficiência cardíaca aguda com congestão pulmonar.

Por que a cardioversão elétrica deve ser sincronizada?

A cardioversão elétrica deve ser sincronizada com a onda R do ECG para evitar a descarga durante o período refratário ventricular (onda T), o que poderia induzir fibrilação ventricular e piorar o quadro clínico do paciente.

Quando a anticoagulação é necessária após a cardioversão de uma taquiarritmia atrial?

Se a duração da taquiarritmia atrial (como fibrilação atrial) for desconhecida ou >48 horas, a anticoagulação é crucial. Em emergências com instabilidade, a cardioversão é prioritária, mas a anticoagulação deve ser iniciada o mais rápido possível e mantida.

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