UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2019
Ao iniciar os atendimentos dos pacientes pela manhã, o médico de família foi solicitado pela equipe de acolhimento da unidade que fizesse uma avaliação de urgência em determinado domicílio, uma vez que haviam ligado e relatado que Sr. Antônio, 60 anos, ainda não havia acordado e estava “estranho”. Como ficava a uma quadra de distância, o médico, a enfermeira e o agente de saúde prontamente se dirigiram até a residência. No meio do caminho sem encontraram com D. Maria (esposa de Sr. Antônio) que já estava indo em direção à Unidade, ela deu um abraço forte em seu médico e disse em meio às lágrimas: “É meu doutor, acho que nosso Antônio se foi...” e caminharam em direção a sua residência. Após realizar o exame físico em seu Antônio, o médico se dirige à família e fala: “Agora ele não vai mais precisar dos comprimidos analgésicos, das fraldas, da alimentação por sonda, pois Sr. Antônio descansou definitivamente”. Em meio a um misto de alívio e lágrimas de seus 5 filhos e esposa, o médico de família que já tinha um lugar reservado ao pé da cama, pois acompanhava seu paciente há tempos, iniciou o preenchimento da declaração de óbito e no espaço reservado para causa do óbito, escreveu: neoplasia de estômago. ” Ao realizar o exame físico em paciente suspeito de óbito, deve-se atentar aos sinais clássicos de morte. Dentre esses sinais, estão:
Livores de hipóstase + Midríase fixa + Ausência de pulsos = Sinais de óbito real.
O diagnóstico de óbito é confirmado por sinais abióticos consecutivos, como livores e rigidez, que seguem padrões temporais e anatômicos previsíveis.
A tanatologia estuda a morte e as modificações do corpo pós-morte, sendo essencial para o médico na constatação do óbito e preenchimento da Declaração de Óbito (DO). O diagnóstico de morte baseia-se na cessação irreversível das funções vitais (sinais abióticos imediatos), como a parada cardiorrespiratória e a ausência de atividade neurológica (coma profundo, midríase fixa). No entanto, a confirmação definitiva é dada pelos sinais abióticos consecutivos, que resultam de processos físico-químicos cadavéricos. Os livores de hipóstase (manchas de posição) e a rigidez cadavérica são os sinais mais precoces e confiáveis. Os livores surgem pela deposição do sangue nas partes em declive devido à gravidade, enquanto a rigidez ocorre pela depleção de ATP muscular. A midríase paralítica (pupilas dilatadas e fixas) é um sinal ocular precoce de morte encefálica e sistêmica. O conhecimento da cronologia desses sinais (cronotanatognose) permite ao médico estimar o tempo de morte e diferenciar mortes naturais de causas externas, garantindo a correta condução ética e legal do caso.
Os sinais abióticos imediatos são aqueles que ocorrem no exato momento da morte, caracterizando a cessação das funções vitais. Eles incluem a perda da consciência, a ausência de movimentos respiratórios (apneia), a ausência de pulsos e batimentos cardíacos (assistolia) e a flacidez muscular generalizada. Já os sinais abióticos consecutivos, também chamados de sinais de morte real ou tanatognósticos, surgem algum tempo após o óbito devido a processos físico-químicos no cadáver. Exemplos incluem o resfriamento cadavérico (algor mortis), as manchas de hipóstase (livor mortis) e a rigidez cadavérica (rigor mortis). A presença de sinais consecutivos é necessária para a confirmação definitiva do óbito e para a estimativa do intervalo pós-morte.
Os livores de hipóstase, ou livor mortis, são manchas de coloração arroxeada ou avermelhada que aparecem na pele das regiões de declive do cadáver. Eles são causados pela deposição passiva do sangue nos capilares e vênulas sob a influência da gravidade após a parada da circulação. Geralmente começam a surgir entre 1 a 3 horas após a morte e tornam-se fixos (não mudam de posição se o corpo for movido) após cerca de 8 a 12 horas. Para o médico, a observação dos livores é um sinal inequívoco de morte biológica e ajuda a determinar se o corpo foi manipulado ou mudado de posição após o falecimento, além de auxiliar na cronotanatognose (estimativa do tempo de morte).
A rigidez cadavérica (rigor mortis) é o endurecimento dos músculos após a morte devido à depleção de ATP, o que impede o relaxamento das fibras de actina e miosina. Ela segue uma ordem cronológica e anatômica específica conhecida como Lei de Nysten-Sommer. A rigidez inicia-se pelos pequenos músculos da face, mandíbula e pescoço, progredindo para o tronco, membros superiores e, por fim, membros inferiores (sentido crânio-caudal). O processo costuma iniciar 2 a 4 horas após o óbito, atinge o máximo em 12 horas e desaparece na mesma ordem em que surgiu após cerca de 36 a 48 horas, conforme a putrefação e a autólise tecidual avançam. Esse padrão é fundamental para a perícia médica e constatação do óbito.
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