Tamponamento Cardíaco Traumático: Diagnóstico e Manejo Rápido

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2020

Enunciado

Um jovem de 18 anos foi vítima de facada no epigástrio. Deu entrada no centro de trauma hipotenso e com veias distendidas no pescoço. A ausculta pulmonar mostrou murmúrio vesicular presente bilateralmente, ainda que a ventilação fosse superficial. Sequência mais apropriada de atendimento e tratamento:

Alternativas

  1. A) Acesso venoso central – radiografia de tórax – FAST (focused assessment with sonography for trauma) – tipagem e prova cruzada para transfusão sanguínea.
  2. B) Intubação traqueal – acesso venoso – FAST (focused assessment with sonography for trauma) – toracotomia.
  3. C) Intubação traqueal – FAST (focused assessment with sonography for trauma) – janela pericárdica.
  4. D) Acesso venoso – transfusão sanguínea – pericardiocentese.
  5. E) Intubação traqueal – radiografia de tórax – FAST (focused assessment with sonography for trauma) – esternotomia me- diana.

Pérola Clínica

Trauma penetrante, hipotensão + turgência jugular = Tamponamento cardíaco → Intubação, acessos, FAST, toracotomia.

Resumo-Chave

O quadro de hipotensão e veias distendidas no pescoço em um trauma penetrante de epigástrio é altamente sugestivo de tamponamento cardíaco, uma forma de choque obstrutivo. A prioridade é a estabilização da via aérea (intubação), acesso vascular para fluidos, e diagnóstico rápido com FAST para confirmar o tamponamento, seguido de descompressão cirúrgica (toracotomia/pericardiotomia).

Contexto Educacional

O trauma penetrante no epigástrio tem alto risco de lesões cardíacas, grandes vasos e órgãos abdominais superiores. A apresentação de hipotensão e veias distendidas no pescoço é um sinal clássico de choque obstrutivo, sendo o tamponamento cardíaco a principal suspeita nesse contexto, mesmo com murmúrio vesicular presente bilateralmente. A abordagem inicial de um paciente traumatizado segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), priorizando a avaliação e manejo da via aérea (A), respiração (B), circulação (C), déficit neurológico (D) e exposição (E). A intubação traqueal é frequentemente necessária para garantir a via aérea e otimizar a oxigenação e ventilação em pacientes instáveis. Acesso venoso e reposição volêmica são cruciais, mas a causa do choque deve ser rapidamente identificada. O FAST é uma ferramenta diagnóstica rápida e essencial no trauma para identificar sangramentos e tamponamento. Confirmado o tamponamento cardíaco, a descompressão é a medida salvadora. A toracotomia de emergência (ou toracotomia de reanimação) é indicada em pacientes com trauma penetrante de tórax que chegam em parada cardíaca ou em choque profundo refratário, para aliviar o tamponamento, controlar hemorragias e realizar massagem cardíaca interna.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos da Tríade de Beck no tamponamento cardíaco?

A Tríade de Beck consiste em hipotensão arterial, turgência jugular (veias do pescoço distendidas) e abafamento das bulhas cardíacas. No contexto de trauma, a hipotensão e a turgência jugular são os sinais mais facilmente identificáveis.

Por que a intubação traqueal é uma prioridade nesse cenário?

A intubação traqueal garante a permeabilidade das vias aéreas e uma ventilação adequada, essencial para otimizar a oxigenação e reduzir o trabalho respiratório, especialmente em um paciente em choque e com potencial comprometimento hemodinâmico e respiratório.

Qual o papel do FAST no diagnóstico de tamponamento cardíaco?

O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é uma ferramenta rápida e não invasiva para detectar líquido no pericárdio, abdome e pleura. No caso de tamponamento, o FAST pode identificar a presença de líquido pericárdico, confirmando o diagnóstico e guiando a conduta de emergência.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo