INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Um paciente de 16 anos, vítima de acidente automobilístico, chega ao pronto-socorro com escoriação extensa em parede torácica anterior, murmúrio vesicular fisiológico e simétrico, bulhas cardíacas hipofonéticas, frequência cardíaca de 48 batimentos por minuto, pressão arterial de 80 × 40 mmHg e turgência bilateral de jugulares. O paciente sofre uma parada cardiorrespiratória logo após a admissão. Com relação ao quadro desse paciente, a conduta médica adequada é realizar
Trauma torácico + Tríade de Beck + PCR → Tamponamento cardíaco traumático = Toracotomia de reanimação com massagem cardíaca interna.
A tríade de Beck (hipotensão, turgência jugular, bulhas hipofonéticas) em um paciente traumatizado com bradicardia e PCR é altamente sugestiva de tamponamento cardíaco. Nesses casos, a toracotomia de reanimação com massagem cardíaca interna é a conduta salvadora imediata, pois a pericardiocentese percutânea é frequentemente ineficaz em tamponamentos traumáticos maciços.
O tamponamento cardíaco traumático é uma emergência médica grave, frequentemente fatal, que ocorre quando há acúmulo de sangue no saco pericárdico após um trauma torácico, impedindo o enchimento diastólico do coração e levando a choque obstrutivo. A apresentação clássica é a Tríade de Beck: hipotensão, turgência jugular e bulhas cardíacas hipofonéticas. No contexto de trauma, a bradicardia e a parada cardiorrespiratória (PCR) são sinais de extrema gravidade. A fisiopatologia envolve a compressão do coração pelo sangue acumulado no pericárdio, o que reduz o débito cardíaco e leva a choque. A bradicardia pode ser um sinal de hipóxia miocárdica ou compressão vagal. Em um paciente vítima de trauma automobilístico que evolui para PCR com esses sinais, a suspeita de tamponamento cardíaco é altíssima e exige intervenção imediata para salvar a vida. Diante de um paciente com trauma torácico, Tríade de Beck e PCR, a conduta médica adequada é a toracotomia de reanimação (ou toracotomia de emergência no pronto-socorro). Este procedimento permite a abertura do tórax e do pericárdio para aliviar a compressão cardíaca, evacuar o sangue e coágulos, e realizar massagem cardíaca interna. A pericardiocentese percutânea, embora útil em tamponamentos não traumáticos ou com líquido seroso, é geralmente ineficaz em tamponamentos traumáticos devido à presença de coágulos densos e à necessidade de controle direto da fonte de sangramento.
A Tríade de Beck é composta por hipotensão arterial, turgência jugular e bulhas cardíacas hipofonéticas. Ela é um sinal clássico de tamponamento cardíaco, indicando compressão do coração por acúmulo de líquido no pericárdio, impedindo o enchimento ventricular adequado.
A toracotomia de reanimação permite a descompressão imediata do pericárdio (pericardiotomia), o controle direto de sangramentos cardíacos ou de grandes vasos, e a realização de massagem cardíaca interna. Em tamponamentos traumáticos, o coágulo pode ser denso e a pericardiocentese percutânea pode ser ineficaz ou demorada.
As indicações incluem trauma torácico penetrante com PCR presenciada ou choque profundo refratário, tamponamento cardíaco traumático, hemorragia torácica maciça e embolia aérea. É um procedimento de emergência para pacientes com poucas chances de sobrevivência por outras vias.
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