SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2020
Um paciente de 32 anos de idade é levado à sala de trauma pelo Corpo de Bombeiros 25 minutos após ser vítima de acidente de moto versus anteparo. Testemunhas disseram que o paciente foi arremessado a uma distância de cerca de 10 metros, e que ele usava capacete. Na cena, estava eupneico e mantinha nível de consciência normal. Durante o transporte, começou a queixar-se de ""falta de ar"". A avaliação inicial do plantonista da sala de trauma foi a seguinte: A - vias aéreas pérvias, com colar cervical; B - taquidispneico, FR = 54 irpm, murmúrios audíveis e simétricos em ambos hemitóraxes, SpO2 = 93%; C - FC = 130 bpm, PA = 89 mmHg x 68 mmHg, bulhas cardíacas abafadas, escoriações no abdome e nos membros, sem sangramento ativo. Toque retal sem alterações; D - Abertura ocular ao chamado, fala confusa, localizava dor. Pupilas isocóricas e fotorreagentes; E - Membro inferior esquerdo encurtado e em rotação lateral, com dor à manipulação. Coluna sem dor à palpação. Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir. Caso haja melhora das condições hemodinâmicas após tratamento do tamponamento cardíaco, deve-se realizar tomografia de abdome e pelve para esse paciente.
Trauma torácico + choque obstrutivo (tamponamento) → estabilizar, depois TC abdome/pelve para lesões ocultas.
A afirmação está correta. O paciente apresenta sinais de tamponamento cardíaco (choque obstrutivo) após trauma de alta energia. Após o tratamento inicial e estabilização hemodinâmica do tamponamento, é imperativo realizar uma avaliação secundária completa, incluindo exames de imagem como a tomografia de abdome e pelve, devido ao mecanismo de trauma e às escoriações, que sugerem alto risco de lesões internas ocultas.
O paciente politraumatizado, especialmente após acidentes de alta energia como o de moto, exige uma abordagem sistemática e rápida, seguindo os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support). A avaliação primária foca na identificação e tratamento imediato de condições com risco de vida, como obstrução de vias aéreas, pneumotórax hipertensivo e tamponamento cardíaco. O caso descreve um quadro de choque obstrutivo com bulhas abafadas, altamente sugestivo de tamponamento cardíaco, que requer pericardiocentese de urgência. Após a estabilização das condições que ameaçam a vida na avaliação primária, o paciente deve ser submetido à avaliação secundária, que consiste em um exame físico completo da cabeça aos pés e exames complementares. A cinemática do trauma (arremesso a 10 metros) e as escoriações abdominais e nos membros indicam um trauma de alta energia, com grande potencial para lesões internas ocultas. A tomografia computadorizada de abdome e pelve é um exame crucial na avaliação secundária de pacientes hemodinamicamente estáveis após trauma de alta energia, pois permite identificar lesões em órgãos sólidos, vísceras ocas, vasos e estruturas ósseas que podem não ser evidentes no exame físico inicial. A falha em realizar essa investigação pode levar ao diagnóstico tardio de lesões graves, com piora do prognóstico.
A tríade de Beck (hipotensão, turgência jugular e bulhas cardíacas abafadas) é clássica, mas nem sempre completa no trauma. Taquicardia e choque obstrutivo são achados comuns.
A tomografia é indicada para rastrear lesões internas ocultas no abdome e pelve, que são comuns em traumas de alta energia, mesmo que os achados iniciais do toque retal ou exame físico abdominal sejam normais.
A cinemática do trauma fornece informações sobre a energia envolvida e os possíveis padrões de lesão, auxiliando na suspeita de lesões específicas e na priorização de exames e intervenções.
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