UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
Homem, 60 anos, está em hemodiálise por HAS e DM tipo 2 mal controlados. Faltou a três sessões da terapia hemodialítica, retornando sete dias após com anasarca e dispneia. Durante a sessão, apresentou piora súbita da dispneia com turgência jugular a 90o, hipofonese de bulhas e PAS inaudível. Eletrocardiograma (ECG): infra desnível de segmento PR e supra desníveldifuso do segmento ST. A principal hipótese diagnóstica e a forma mais adequada de prevenção da sua ocorrência é:
Paciente em diálise com anasarca, dispneia súbita, tríade de Beck e ECG com infra PR/supra ST difuso → Tamponamento cardíaco.
O tamponamento cardíaco em pacientes renais crônicos em diálise é frequentemente causado por pericardite urêmica e derrame pericárdico. A tríade de Beck (hipotensão, turgência jugular, bulhas hipofonéticas) e as alterações difusas no ECG (infra de PR, supra de ST) são achados clássicos. A prevenção envolve evitar anticoagulação em derrames pericárdicos significativos.
O tamponamento cardíaco é uma emergência médica caracterizada pelo acúmulo de líquido no saco pericárdico, que comprime o coração e impede seu enchimento adequado, levando a uma diminuição do débito cardíaco e choque. Em pacientes com doença renal crônica em hemodiálise, a pericardite urêmica é uma causa comum de derrame pericárdico e subsequente tamponamento. A falta às sessões de diálise agrava a uremia, aumentando o risco de pericardite. O quadro clínico clássico do tamponamento cardíaco inclui a tríade de Beck: hipotensão arterial, turgência jugular e bulhas cardíacas hipofonéticas. O paciente também pode apresentar dispneia súbita e pulso paradoxal. No eletrocardiograma, achados sugestivos de pericardite incluem infra desnível do segmento PR e supra desnível difuso do segmento ST. Em casos de tamponamento, pode-se observar baixa voltagem do QRS e alternância elétrica. A prevenção do tamponamento cardíaco em pacientes com pericardite urêmica e derrame pericárdico envolve o controle rigoroso da uremia através da diálise e, crucialmente, a modificação da terapia anticoagulante. A heparina, rotineiramente usada na hemodiálise para prevenir a coagulação do circuito, deve ser evitada ou usada com extrema cautela em pacientes com derrame pericárdico significativo, pois pode precipitar ou agravar o sangramento para o espaço pericárdico, levando ao tamponamento. A diálise sem heparina ou com citrato regional pode ser uma alternativa.
Os sinais e sintomas incluem dispneia, taquicardia, hipotensão, turgência jugular, bulhas cardíacas hipofonéticas (tríade de Beck), pulso paradoxal e, em casos graves, choque cardiogênico.
No ECG, pode-se observar infra desnível do segmento PR e supra desnível difuso do segmento ST (sugestivo de pericardite), além de baixa voltagem do QRS e alternância elétrica em casos de tamponamento.
A heparina, um anticoagulante, pode agravar o sangramento para o espaço pericárdico em pacientes com pericardite urêmica e derrame, precipitando ou piorando o tamponamento cardíaco. Nesses casos, a diálise sem heparina é preferível.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo