Santa Casa de Marília (SP) — Prova 2020
Homem, 68 anos de idade, portador de insuficiência renal crônica dialítica, é admitido em Pronto Socorro com quadro de confusão mental há 1 hora. Exame físico: FC 120 bpm, PA 70x30 mmHg, estase jugular, abafamento de bulhas cardíacas e má perfusão periférica. Qual é a conduta apropriada?
IRC dialítica + Tríade de Beck (hipotensão, estase jugular, bulhas abafadas) → Tamponamento cardíaco → Punção pericárdica.
O quadro clínico de hipotensão, taquicardia, estase jugular, abafamento de bulhas e má perfusão periférica em paciente com IRC dialítica é altamente sugestivo de tamponamento cardíaco, uma emergência que requer drenagem pericárdica imediata para aliviar a compressão.
O tamponamento cardíaco é uma emergência médica caracterizada pelo acúmulo de líquido no espaço pericárdico, que impede o enchimento diastólico ventricular e compromete o débito cardíaco, levando a choque obstrutivo. Em pacientes com insuficiência renal crônica (IRC) dialítica, a causa mais comum é a pericardite urêmica, uma complicação da uremia. O reconhecimento precoce é crucial, pois a condição pode ser rapidamente fatal. O quadro clínico clássico é a Tríade de Beck: hipotensão arterial, estase jugular (sinal de aumento da pressão venosa central) e abafamento das bulhas cardíacas. Outros sinais incluem taquicardia, pulso paradoxal (queda da PA sistólica >10 mmHg na inspiração), má perfusão periférica e alteração do nível de consciência devido à hipoperfusão cerebral. A presença desses sinais em um paciente com IRC dialítica deve levantar forte suspeita de tamponamento cardíaco. A conduta apropriada e salvadora é a punção pericárdica (pericardiocentese) de emergência, que visa drenar o líquido pericárdico e aliviar a compressão cardíaca. Embora o ecocardiograma transtorácico seja o exame padrão-ouro para confirmar o diagnóstico e guiar a punção, em um paciente hemodinamicamente instável, a intervenção não deve ser atrasada. A drenagem pleural esquerda não seria a conduta, pois o problema é pericárdico, e a tomografia de tórax, embora útil, não é a primeira medida em uma emergência com instabilidade hemodinâmica.
A Tríade de Beck é caracterizada por hipotensão arterial, estase jugular (pressão venosa central elevada) e abafamento das bulhas cardíacas, indicando compressão cardíaca por acúmulo de líquido pericárdico.
Pacientes com IRC, especialmente em diálise, têm maior risco de desenvolver pericardite urêmica, que pode levar ao acúmulo de líquido no pericárdio e, consequentemente, ao tamponamento cardíaco.
A conduta inicial e definitiva para um paciente com tamponamento cardíaco e instabilidade hemodinâmica é a punção pericárdica de emergência (pericardiocentese) para aliviar a pressão sobre o coração e restaurar a função circulatória.
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