FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2021
Homem, 32 anos de idade, procura o serviço de emergência por dor precordial em peso, contínua nos últimos três dias, associada a dispneia progressiva, atualmente aos mínimos esforços. Ao exame clínico: regular estado geral, taquidispneico, com má perfusão periférica, frequência cardíaca = 122 batimentos/minuto e pressão arterial = 102 x 66 mmHg, com bulhas taquicárdicas, rítmicas, hipofonéticas e sem sopros; repetiu-se a pressão arterial durante manobra de inspiração profunda: 90 x 58 mmHg, acompanhada de intensificação de estase jugular; restante do exame clínico sem alterações. Qual deve ser a conduta de urgência necessária para estabilização hemodinâmica deste paciente?
Tríade de Beck (hipotensão, bulhas hipofonéticas, estase jugular) + pulso paradoxal → Tamponamento cardíaco → Pericardiocentese.
O quadro clínico de dor precordial, dispneia progressiva, hipotensão, taquicardia, bulhas hipofonéticas, estase jugular e pulso paradoxal (queda >10 mmHg na PAS durante inspiração) é altamente sugestivo de tamponamento cardíaco, uma emergência que requer pericardiocentese de alívio para estabilização hemodinâmica.
O tamponamento cardíaco é uma emergência médica caracterizada pelo acúmulo de líquido no espaço pericárdico em quantidade suficiente para comprometer o enchimento diastólico dos ventrículos, levando a uma redução do débito cardíaco e choque obstrutivo. É uma condição potencialmente fatal que exige reconhecimento e tratamento imediatos. Pode ser causado por diversas condições, como pericardite, neoplasias, trauma, uremia ou pós-infarto. O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de Beck (hipotensão, bulhas cardíacas hipofonéticas e turgência jugular) e no pulso paradoxal, que é uma queda da pressão arterial sistólica maior que 10 mmHg durante a inspiração. O paciente geralmente apresenta dispneia, dor torácica, taquicardia e sinais de má perfusão periférica. O ecocardiograma é o exame confirmatório, mostrando o derrame pericárdico e o colapso das câmaras cardíacas. A conduta de urgência para estabilização hemodinâmica é a pericardiocentese de alívio, que consiste na drenagem do líquido pericárdico. Este procedimento descompresse o coração, permitindo o retorno do enchimento ventricular normal e a melhora imediata do débito cardíaco e da pressão arterial. Em casos de tamponamento recorrente ou etiologia específica, pode ser indicada a janela pericárdica cirúrgica.
Os sinais clássicos do tamponamento cardíaco incluem a Tríade de Beck (hipotensão arterial, bulhas cardíacas hipofonéticas e turgência jugular) e o pulso paradoxal (queda da pressão arterial sistólica >10 mmHg durante a inspiração).
A pericardiocentese de alívio é a conduta de urgência porque remove o excesso de líquido no saco pericárdico, aliviando a compressão sobre o coração e restaurando o enchimento ventricular adequado, o que melhora rapidamente a hemodinâmica do paciente.
O pulso paradoxal é a diminuição exagerada da pressão arterial sistólica durante a inspiração (>10 mmHg). Ele ocorre porque, no tamponamento, a inspiração aumenta o retorno venoso para o ventrículo direito, que já está comprimido, desviando o septo interventricular para a esquerda e diminuindo o enchimento do ventrículo esquerdo, resultando em menor débito cardíaco.
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