Tamponamento Cardíaco Traumático: Diagnóstico e Pericardiocentese

HMASP - Hospital Militar de Área de São Paulo — Prova 2019

Enunciado

Um Coronel da reserva com 65 anos, após reagir a um assalto a mão armada, dá entrada na sala de emergência, deambulando, vindo por meios próprios, com ferimento por arma branca em região infraxifoidea. Na entrada o mesmo apresenta-se contactuante, com frequência respiratória de 32 irpm, ausculta torácica com murmúrio presente bilateralmente, discretamente diminuído em base esquerda, distensão importante de veias do pescoço, pulso 140 bpm, pressão arterial 80 x 40 mmHg, ausculta cardíaca com bulhas abafadas. Diante desse quadro clínico, qual a melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Drenagem torácica à esquerda.
  2. B) Intubação orotraqueal.
  3. C) Pericardiocentese.
  4. D) Lavado peritoneal.
  5. E) Toracotomia de emergência.

Pérola Clínica

Ferimento infraxifoide + Tríade de Beck (hipotensão, turgência jugular, bulhas abafadas) = Tamponamento cardíaco → Pericardiocentese.

Resumo-Chave

O quadro clínico (ferimento infraxifoide, hipotensão, taquicardia, turgência jugular e bulhas abafadas) é clássico da Tríade de Beck, indicando tamponamento cardíaco. A pericardiocentese de emergência é a conduta inicial salvadora para aliviar a compressão cardíaca.

Contexto Educacional

O tamponamento cardíaco é uma emergência médica grave, especialmente quando decorrente de trauma penetrante na região torácica ou infraxifoide. Ele ocorre quando há acúmulo de sangue ou líquido no saco pericárdico, comprimindo o coração e impedindo seu enchimento adequado, o que leva a uma diminuição crítica do débito cardíaco e choque obstrutivo. O diagnóstico é clínico, baseado na clássica Tríade de Beck: hipotensão arterial, turgência jugular e bulhas cardíacas abafadas. Outros sinais incluem taquicardia, dispneia e pulso paradoxal. A região infraxifoide é particularmente perigosa para ferimentos por arma branca, pois pode atingir o coração, fígado ou grandes vasos. A rápida identificação desses sinais é crucial para a sobrevida do paciente. A conduta imediata no tamponamento cardíaco traumático é a pericardiocentese de emergência, que consiste na drenagem do líquido pericárdico para aliviar a compressão. Este procedimento pode ser realizado à beira do leito e é frequentemente salvador. Após a estabilização inicial, a toracotomia de emergência ou cirurgia cardíaca pode ser necessária para reparo definitivo da lesão.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos do tamponamento cardíaco em trauma?

Os sinais clássicos do tamponamento cardíaco formam a Tríade de Beck: hipotensão arterial, turgência jugular (distensão das veias do pescoço) e bulhas cardíacas abafadas. Outros sinais incluem taquicardia e dispneia.

Por que a pericardiocentese é a melhor conduta inicial no tamponamento cardíaco traumático?

A pericardiocentese de emergência é a conduta mais adequada porque remove o líquido acumulado no pericárdio, aliviando rapidamente a compressão sobre o coração. Isso melhora o débito cardíaco e reverte o choque obstrutivo, estabilizando o paciente.

Qual a diferença entre choque obstrutivo e choque hipovolêmico no trauma?

No choque obstrutivo, como no tamponamento cardíaco, há uma barreira física ao fluxo sanguíneo, levando a turgência jugular e bulhas abafadas. No choque hipovolêmico, há perda de volume sanguíneo, resultando em veias jugulares colabadas e ausência de bulhas abafadas, apesar da hipotensão e taquicardia.

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