Tamponamento Cardíaco: Diagnóstico e Manejo Urgente

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 27a, procurou o Pronto Atendimento por dor torácica precordial iniciada há dois dias, pior à inspiração profunda, com enzimas cardíacas normais e eletrocardiograma mostrando taquicardia sinusal associada a supradesnivelamento difuso do segmento ST. Após três dias de internação, a paciente apresentou piora da precordialgia, associada a dispneia e mal-estar. Exame físico: sonolenta e orientada, extremidades frias. PA=86/46mmHg; FC=132bpm; FR=24irpm; saturação de oxigênio=94% em ar ambiente; tempo de enchimento capilar=5s. Ausculta pulmonar normal. Ausculta cardíaca: ritmo regular em dois tempos, bulhas hipofonéticas, sem sopros. Dímero-d=400ng/mL. Ultrassonografia pulmonar (Imagem Q7-A) e de veia cava inferior (Imagem Q7-B) variação no diâmetro < 50%. A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA É:

Alternativas

Pérola Clínica

Dor torácica pleurítica + Supra ST difuso + Bulhas hipofonéticas + Hipotensão + Taquicardia + TPC > 3s + VCI pletórica → Tamponamento Cardíaco.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor torácica pleurítica, supradesnivelamento difuso do ST (sugestivo de pericardite), seguido por hipotensão, taquicardia, bulhas hipofonéticas e sinais de baixo débito cardíaco (extremidades frias, TPC prolongado) com VCI pletórica, é altamente sugestivo de tamponamento cardíaco, uma emergência médica que requer intervenção imediata.

Contexto Educacional

O caso descreve uma paciente com dor torácica precordial pleurítica e supradesnivelamento difuso do segmento ST, achados típicos de pericardite aguda. A piora do quadro com dispneia, mal-estar, sonolência, hipotensão (PA=86/46mmHg), taquicardia (FC=132bpm), extremidades frias, TPC prolongado (5s) e bulhas cardíacas hipofonéticas, associado a uma veia cava inferior pletórica (variação de diâmetro < 50% à USG), configura um quadro de choque obstrutivo por tamponamento cardíaco. A pericardite aguda é a inflamação do pericárdio, frequentemente de etiologia viral, que pode evoluir para derrame pericárdico. Quando o volume do derrame aumenta rapidamente ou atinge um volume crítico, a pressão intrapericárdica eleva-se, comprimindo as câmaras cardíacas e impedindo o enchimento diastólico adequado, levando ao tamponamento cardíaco. Este é um tipo de choque obstrutivo, caracterizado pela tríade de Beck (hipotensão, bulhas hipofonéticas e turgência jugular). O diagnóstico é clínico e confirmado por ecocardiograma, que demonstra o derrame pericárdico e o colapso das câmaras direitas. A ultrassonografia da veia cava inferior (VCI) pletórica, com variação de diâmetro inferior a 50%, é um forte indicativo de aumento da pressão atrial direita e, consequentemente, de tamponamento. O tratamento é uma emergência médica, consistindo na pericardiocentese para drenagem do líquido pericárdico e alívio da compressão cardíaca, muitas vezes guiada por ultrassom.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos que sugerem tamponamento cardíaco?

Os sinais clássicos incluem a Tríade de Beck (hipotensão, bulhas cardíacas hipofonéticas e turgência jugular), além de taquicardia, dispneia, pulsos paradoxais e sinais de baixo débito cardíaco como extremidades frias e tempo de enchimento capilar prolongado.

Qual o papel da ultrassonografia na suspeita de tamponamento cardíaco?

A ultrassonografia (ecocardiograma) é crucial para confirmar o diagnóstico, mostrando derrame pericárdico significativo, colapso diastólico do ventrículo direito e/ou átrio direito, e dilatação da veia cava inferior com pouca variação respiratória, indicando aumento da pressão intratorácica.

Qual a conduta inicial em um paciente com suspeita de tamponamento cardíaco?

A conduta inicial é a estabilização hemodinâmica com fluidos intravenosos para aumentar o volume diastólico e, mais importante, a pericardiocentese de urgência para aliviar a pressão sobre o coração, guiada por ultrassom.

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