Tamponamento Cardíaco: Diagnóstico e Manejo na Emergência

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2024

Enunciado

Um paciente de 58 anos de idade foi levado à emergência pelo SAMU. Ele foi encontrado na rua confuso e desorientado. No transporte, a equipe percebeu que não havia mais pulsos centrais palpáveis e o paciente estava inconsciente, então foram realizadas manobras de reanimação cardiopulmonar, conforme o protocolo ACLS. No intra‑hospitalar, foram mais dois ciclos de reanimação, com tempo total de quinze minutos, sempre em AESP no monitor. Após o retorno à respiração e à circulação espontânea (paciente já intubado), o paciente foi examinado com mais calma e constatou‑se que havia uma fístula arteriovenosa em membro superior esquerdo. Ausculta pulmonar com estertores, PA de 75x45 mmHg, FC de 132 bpm, estase jugular e má perfusão periférica, com livedo reticular. Abdômen semigloboso e flácido. Bulhas rítmicas, hipofonéticas, em dois tempos e sem sopros. Foi iniciada noradrealina e foram solicitados exames na urgência. Eletrocardiograma sem alterações isquêmicas agudas e com baixa voltagem difusa. Gasometria arterial: pH 7,25; BIC 18; e potássio 6,1. Foi realizado POCUS, que apontou derrame pericárdico, colabamento diastólico do ventrículo direito e colabamento de átrio direito. Derrame pleural pequeno em bases, linhas B em bases de ambos os pulmões e com padrão A nos ápices e no terço médio bilaterais. Cava túrgida, com pouquíssima variabilidade com o ciclo respiratório. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a conduta que evitará que o paciente tenha uma nova parada cardíaca nos próximos momentos

Alternativas

  1. A) furosemida em altas doses
  2. B) punção de Marfan
  3. C) bicarbonato endovenoso
  4. D) hemodiálise
  5. E) gluconato de cálcio

Pérola Clínica

Choque + estase jugular + bulhas hipofonéticas + POCUS (derrame pericárdico, colabamento VD/AD, cava túrgida) = Tamponamento Cardíaco → Pericardiocentese (Punção de Marfan).

Resumo-Chave

O quadro clínico de choque, estase jugular, bulhas hipofonéticas e achados ecocardiográficos de derrame pericárdico com colabamento de câmaras direitas e veia cava inferior túrgida é diagnóstico de tamponamento cardíaco. A pericardiocentese é a medida salvadora para restaurar o débito cardíaco e evitar nova parada.

Contexto Educacional

O tamponamento cardíaco é uma emergência médica que ocorre quando o acúmulo de líquido no saco pericárdico impede o enchimento diastólico adequado do coração, levando a uma diminuição crítica do débito cardíaco e choque obstrutivo. É uma causa reversível de parada cardíaca, especialmente em AESP. A rápida identificação e intervenção são cruciais para a sobrevivência do paciente. A fisiopatologia envolve o aumento da pressão intrapericárdica, que comprime as câmaras cardíacas, impedindo o retorno venoso e o enchimento ventricular. O diagnóstico é primariamente clínico, com a Tríade de Beck, e confirmado rapidamente por ecocardiograma à beira do leito (POCUS), que demonstra o derrame pericárdico e os sinais de compressão cardíaca. A suspeita deve ser alta em pacientes com choque inexplicado, estase jugular e bulhas hipofonéticas. O tratamento definitivo é a pericardiocentese, que alivia a pressão sobre o coração e restaura a hemodinâmica. Enquanto se prepara para o procedimento, a administração cautelosa de fluidos pode temporariamente melhorar a pré-carga, mas diuréticos são contraindicados. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da intervenção, sendo um dos poucos casos de AESP com alta taxa de reversibilidade se tratado prontamente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos clássicos do tamponamento cardíaco?

Os sinais clássicos do tamponamento cardíaco formam a Tríade de Beck: hipotensão, bulhas cardíacas hipofonéticas e estase jugular. Outros sinais incluem taquicardia, pulso paradoxal e má perfusão periférica.

Como o POCUS auxilia no diagnóstico de tamponamento cardíaco?

O POCUS (Point-of-Care Ultrasound) é crucial, mostrando derrame pericárdico significativo, colabamento diastólico do ventrículo direito e/ou átrio direito, e veia cava inferior túrgida com pouca ou nenhuma variação respiratória, indicando aumento da pressão intratorácica.

Qual a conduta imediata para reverter o tamponamento cardíaco?

A conduta imediata e definitiva para reverter o tamponamento cardíaco é a pericardiocentese de alívio, que consiste na drenagem do líquido pericárdico. Isso reduz a pressão sobre o coração e restaura o enchimento ventricular e o débito cardíaco.

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