INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Um paciente de 20 anos, envolvido em acidente de trânsito, é encaminhado a uma unidade hospitalar de pequeno porte, em prancha rígida, coberto com manta térmica e utilizando colar cervical. Ele foi vítima de colisão lateral esquerda do seu automóvel contra a lateral direita de outro veículo, não usava cinto de segurança. Ao exame físico, são observadas escoriações superficiais na região tóraco-abdominal anterior esquerda. O paciente apresenta-se consciente, Glasgow 13, consegue verbalizar o próprio nome e nega sentir dores na região cervical, suas pupilas estão isocóricas e fotorreagentes. Apresenta os seguintes sinais vitais:No aparelho respiratório, percebe-se murmúrio vesicular fisiológico, sem ruídos adventícios. No aparelho cardiovascular, nota-se turgência jugular, bulhas cardíacas hipofonéticas em todos os focos.Com relação ao caso clínico apresentado, faça o que se pede nos itens a seguir.a) Correlacione os achados da anamnese e do exame físico desse paciente com cada um dos elementos que constituem a avaliação primária (ABCDE) segundo o ATLS (Advanced Trauma Life Support). (valor: 4,0 pontos)b) Cite as condutas a serem tomadas em cada item da avaliação primária (ABCDE) desse paciente, segundo o ATLS. (valor: 4,0 pontos)c) Cite o diagnóstico principal desse paciente e dois diagnósticos diferenciais. (valor: 2,0 pontos)
Turgência jugular + Bulhas abafadas + MV normal = Tamponamento Cardíaco (Tríade de Beck).
O tamponamento cardíaco no trauma ocorre por acúmulo de sangue no saco pericárdico. Diferencia-se do pneumotórax hipertensivo pela presença de murmúrio vesicular preservado e ausência de desvio de traqueia.
A avaliação primária do ATLS segue a sequência ABCDE. No caso clínico, o paciente apresenta Glasgow 13 (D comprometido), escoriações torácicas com murmúrio vesicular preservado (B normal) e sinais de choque obstrutivo com turgência jugular e bulhas abafadas (C comprometido). Este conjunto de sinais é patognomônico de tamponamento cardíaco. O diagnóstico é clínico, mas o uso do FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) na sala de emergência permite a visualização direta de líquido no espaço pericárdico, confirmando a suspeita e guiando a intervenção.
A Tríade de Beck é composta por hipotensão arterial, turgência jugular e bulhas cardíacas abafadas. Ela é o sinal clássico do tamponamento cardíaco agudo, indicando que o acúmulo de líquido no pericárdio está restringindo o enchimento diastólico dos ventrículos, levando ao choque obstrutivo.
A conduta definitiva é a descompressão cirúrgica (janela pericárdica ou toracotomia). Em situações de emergência extrema e indisponibilidade de cirurgião, a pericardiocentese com agulha pode ser realizada como medida temporária de alívio, embora apresente riscos de lesão miocárdica e recorrência rápida.
Ambos podem apresentar turgência jugular e hipotensão (choque obstrutivo). A diferenciação é feita pela ausculta pulmonar: no pneumotórax hipertensivo, o murmúrio vesicular está abolido ou muito diminuído no lado afetado e pode haver hipertimpanismo à percussão, enquanto no tamponamento o murmúrio vesicular é fisiológico e bilateral.
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