UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026
Homem de 24 anos procura atendimento médico com febre de 38ºC, queixa de dor torácica de forte intensidade na região precordial, irradiada para a omoplata, que piora ao deitar e durante a inspiração profunda. O exame cardiovascular mostra ruído rude sistodiastólico em precórdio e turgência jugular a 45º. O paciente evolui com piora de dispneia e queda da PA. Para ajudar na principal complicação do diagnóstico, é provável verificar no exame físico:
Tamponamento cardíaco → Tríade de Beck + Pulso Paradoxal (↓ PAS > 10mmHg na inspiração).
A evolução da pericardite para tamponamento é marcada por restrição ao enchimento diastólico, resultando em choque obstrutivo e o clássico pulso paradoxal.
O tamponamento cardíaco é uma emergência médica caracterizada pelo acúmulo de líquido no espaço pericárdico sob pressão, o que impede o enchimento adequado das câmaras cardíacas. A fisiopatologia baseia-se na interdependência ventricular: o aumento do volume no ventrículo direito durante a inspiração desloca o septo para a esquerda, reduzindo drasticamente o débito cardíaco esquerdo. Clinicamente, o paciente apresenta sinais de choque obstrutivo. O eletrocardiograma pode mostrar baixa voltagem e alternância elétrica, enquanto o ecocardiograma confirma o diagnóstico ao demonstrar colapso das câmaras direitas na diástole. O tratamento definitivo é a drenagem do líquido pericárdico para restaurar a hemodinâmica.
O pulso paradoxal é definido por uma queda exagerada da pressão arterial sistólica (superior a 10 mmHg) durante a inspiração espontânea. Fisiologicamente, a inspiração aumenta o retorno venoso ao ventrículo direito; no tamponamento, o septo interventricular abaula-se para a esquerda devido à restrição do saco pericárdico, reduzindo o volume sistólico do ventrículo esquerdo e, consequentemente, a pressão arterial sistólica periférica.
O sinal de Kussmaul é o aumento ou a falta de queda da pressão venosa jugular durante a inspiração, comum na pericardite constritiva e insuficiência ventricular direita. Já o pulso paradoxal refere-se à queda da pressão arterial sistólica na inspiração, sendo o achado clássico do tamponamento cardíaco. Embora ambos envolvam o ciclo respiratório, o primeiro avalia o sistema venoso e o segundo o sistema arterial sistêmico.
A Tríade de Beck é composta por hipotensão arterial, abafamento das bulhas cardíacas e turgência jugular patológica. É um sinal clínico clássico, porém tardio, de tamponamento cardíaco agudo. A presença desses sinais indica uma emergência médica que requer descompressão imediata do espaço pericárdico, geralmente via pericardiocentese guiada por ultrassonografia ou janela pericárdica cirúrgica.
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