INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Um paciente com 34 anos, em tratamento quimioterápico para linfoma, é avaliado no plantão de um hospital com queixa de dispneia, desconforto torácico, ortopneia, com progressão nas últimas 6 horas. Ao exame físico, apresenta-se em regular estado geral, com frequência cardíaca de 125 bpm, frequência respiratória de 28 irpm, saturação de O2 de 93% em ar ambiente, pressão arterial de 86 x 48 mmHg. Durante a inspiração, observa-se que a pressão sistólica reduziu para 75 x 44 mmHg. A temperatura axilar do paciente é de 36,6 °C e ele apresenta grande distensão jugular, bulhas cardíacas hipofonéticas. O exame de ECG no leito indicou baixa voltagem dos complexos QRS, sem presença de alterações isquêmicas detectáveis.Os resultados de outros exames realizados nesse dia são: Considerando a hipótese diagnóstica mais provável, assinale a opção com as medidas mais adequadas a serem adotadas para esse paciente.
Tamponamento cardíaco = Tríade de Beck + Pulso paradoxal + Baixa voltagem QRS → Ecocardiografia + Pericardiocentese.
O quadro clínico de hipotensão, distensão jugular, bulhas hipofonéticas (Tríade de Beck) associado a pulso paradoxal e baixa voltagem no ECG é altamente sugestivo de tamponamento cardíaco, uma emergência que exige diagnóstico rápido por ecocardiografia e tratamento com pericardiocentese.
O tamponamento cardíaco é uma emergência médica causada pelo acúmulo rápido ou excessivo de líquido no saco pericárdico, que comprime o coração e impede seu enchimento adequado, levando a uma diminuição do débito cardíaco. É uma condição potencialmente fatal que exige reconhecimento e intervenção imediatos, frequentemente associada a neoplasias ou quimioterapia. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na Tríade de Beck (hipotensão, distensão jugular, bulhas hipofonéticas), pulso paradoxal e sinais de baixa voltagem no ECG. A ecocardiografia é o exame padrão-ouro para confirmar o derrame pericárdico e avaliar seu impacto hemodinâmico, guiando a intervenção. O tratamento é a pericardiocentese de emergência, que alivia a pressão sobre o coração. Enquanto se aguarda o procedimento, a administração de fluidos intravenosos pode ajudar a manter a pré-carga e o débito cardíaco, mas é uma medida temporária, não substituindo a drenagem do líquido.
A Tríade de Beck consiste em hipotensão arterial, distensão das veias jugulares e bulhas cardíacas hipofonéticas. Estes são sinais clássicos de compressão cardíaca.
O pulso paradoxal é uma queda exagerada (>10 mmHg) da pressão arterial sistólica durante a inspiração, devido ao aumento do enchimento do ventrículo direito que comprime o ventrículo esquerdo, reduzindo seu enchimento e débito.
O tratamento definitivo é a pericardiocentese, que consiste na drenagem do líquido pericárdico para aliviar a compressão cardíaca e restaurar a hemodinâmica, sendo um procedimento de emergência.
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